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A pedido do nosso ilustre editor, me ponho a escrever sobre um assunto não jurídico, a retomada do assunto vacinação durante as eleições, em razão dos seguintes acontecimentos da última semana.
Na última quarta-feira 29 de julho de 2026 os senadores americanos interrogaram o médico Anthony Fauci, principal rosto da resposta dos Estados Unidos à pandemia. O imunologista invocou a Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos e se recusou a responder a mais de cem perguntas feitas por parlamentares republicanos.
Durante a audiência, Fauci foi questionado sobre o financiamento de pesquisas com coronavírus na China, a hipótese de vazamento do vírus de um laboratório em Wuhan e decisões adotadas pelo governo americano durante a crise sanitária.
Principal autoridade nos EUA para o combate à Covid-19, Anthony Fauci virou um dos grandes adversários do presidente Donald Trump durante os primeiros anos da pandemia.
A rivalidade se intensificou à medida que Trump negava os apelos do médico para uma reabertura econômica mais lenta, além de ignorar a exigência do uso de máscara e outras medidas de proteção.
O médico defendia que regras rígidas de distanciamento social deviam ser mantidas em todo o país para conter o avanço do novo coronavírus.
Os senadores americanos usaram como contraponto o diário pessoal de Fauci comparado ao seu posicionamento público durante a pandemia.
O enfoque da investigação é a teoria de que o médico teria ajudado a viabilizar a pandemia por meio de pesquisas com o vírus financiadas na China e, depois, ocultado a hipótese de vazamento laboratorial.
Utilizando-se deste acontecimento, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou vídeo nas redes sociais, no domingo (2/8), em que repercute a audiência do médico Anthony Fauci no Senado dos Estados Unidos e volta a questionar vacinas e outras medidas adotadas durante a pandemia de Covid-19.
No vídeo, Nikolas também reproduz declaração do secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert Kennedy Jr., segundo a qual Fauci teria “mentido sobre tudo”, incluindo vacinação, imunidade, máscaras e distanciamento social. Afirma que os documentos revelam que Fauci sofreu problema pulmonar após receber vacina contra a Covid-19 e que teria ocultado a informação. Até o momento não há comprovação pública de que eventual problema de saúde de Fauci tenha sido causado pela vacinação.
Na sequência volta a defender que o uso da hidroxicloroquina “poderia ter salvado milhões de pessoas” durante a pandemia. O uso deste medicamento foi expressamente desaconselhado pela Organização Mundial da Saúde.
No vídeo, o deputado ainda cita o relatório final da comissão da Câmara dos Representantes que investigou a resposta dos Estados Unidos à pandemia. Segundo o parlamentar, o documento comprovaria críticas feitas às medidas sanitárias adotadas durante a crise.
“Literalmente tem um relatório final do Congresso americano mostrando: distanciamento, não havia suporte científico quantitativo; máscaras eram ineficazes para controlar a transmissão; lockdowns geraram mais prejuízo do que proteção; miocardite, especialmente em homens jovens, é um efeito colateral reconhecido”, disse Nikolas.
É interessante observar que esse mesmo relatório citado conclui que a Operação Warp Speed, programa criado no primeiro governo Donald Trump para acelerar o desenvolvimento de vacinas, foi um sucesso e que os imunizantes “indiscutivelmente salvaram milhões de vidas” ao reduzir casos graves e mortes por Covid-19.
Convenientemente esta informação foi omitida na fala do deputado pois estamos em época de eleição e, esse assunto da pandemia rende votos e apoios entusiastas de especialistas digitais em ciências, além do tal engajamento, e, inclusive um artigo no nosso estimado jornal.
A origem do vírus da Covid19 é objeto de investigação por parte dos países desenvolvidos, especialmente EUA que produziu relatórios através de suas agencias, dentre elas FBI, CIA e as conclusões foram as mais variadas possíveis.
Esta investigação é importante, porém para a nossa realidade brasileira, o que mais impacta é a utilização destas informações de maneira equivocada para propagar uma cultura antivacina, que, causa reflexos na saúde pública e, consequentemente nos gastos do SUS que são suportados por toda população.
As pessoas tendem a generalizar, no sentido de colocar todas as vacinas como inseguras, o que a evolução da humanidade prova não ser verdade.
A discussão sobre segurança da vacina da Covid19, em minha opinião pessoal, deve ser relegada aos meios científicos que possuem órgãos, conselhos, universidades, cientistas, médicos e todas as especialidades necessárias que podem concluir a eficácia ou não, bem como a sua segurança.
As políticas de saúde adotadas durante a pandemia no Brasil devem ser objeto de debate entre os representantes políticos a fim de aprimorar a reação, criar protocolos a fim proteger a população em caso de uma nova epidemia.
No entanto, utilizar-se deste tema, de forma tendenciosa e com o intuito de “causar” nas redes sociais em tempos de eleição, fomentando a desinformação e levando pessoas leigas a tomarem decisões sobre a sua saúde com base em informações não comprovadas cientificamente e, sobre as quais não se tem domínio técnico, é no mínimo temerário e irresponsável.
Novamente, no meu ponto de vista, decisões médicas devem ser tomadas pelas pessoas juntamente com o seu médico, levando em consideração o conhecimento técnico do profissional da saúde, bem como, o prontuário médico e a individualidade do paciente.
Com tantos problemas que este país enfrenta, sejam econômicos, sociais, diplomáticos, criminais, legais, que são objeto direto do trabalho do legislativo, a insistência em temas além da sua capacidade intelectual e profissional, em detrimento de planos, projetos e ideias a serem desenvolvidas e trabalhadas ao longo de um pretenso mandato, me chama atenção.
O foco dos candidatos, salvo melhor juízo, deveria ser a sua atuação caso sejam eleitos, fomentando cada um, dentro de sua ideologia as prioridades e as políticas públicas necessárias a tornar este país um lugar muito melhor para se viver. Popularmente se diz: “cada um no seu quadrado”.
Karin Frantz – OAB/SC 22.701
Pandemia, Vacina e Eleições
É possível apagar oficialmente um vínculo de filiação quando ele representa um trauma?
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