Mulheres, além do salto

O valor da espera

  

Vivemos em um tempo em que quase tudo acontece com rapidez. A tecnologia reduziu distâncias, acelerou processos e nos acostumou a obter respostas em questão de minutos. Sem perceber, passamos a acreditar que a própria existência deveria seguir esse mesmo ritmo. Quando um sonho demora a se realizar, quando uma oportunidade não chega ou quando um plano precisa ser adiado, nasce uma inquietação difícil de explicar. Aos poucos, começamos a nos perguntar se estamos atrasadas ou se, de alguma forma, a vida se esqueceu de nós.

Talvez essa seja uma das maiores dificuldades do nosso tempo: aprender a esperar. Não porque a espera seja uma experiência nova, mas porque nos acostumamos a viver cercadas pela ideia de que tudo precisa acontecer imediatamente. Esperar passou a ser visto como sinônimo de perda de tempo, quando, muitas vezes, pode representar exatamente o contrário. Será que toda demora significa que algo deu errado? Ou será que algumas das experiências mais importantes da vida simplesmente não podem ser apressadas?

Ao longo da nossa caminhada, inevitavelmente encontramos períodos em que somos convidadas a esperar. Há quem espere por uma oportunidade profissional, por uma resposta médica, pela restauração de um relacionamento, pela chegada de um filho, pela realização de um projeto ou por uma mudança que parece nunca acontecer.

Talvez o que mais nos incomode não seja a espera em si, mas a sensação de não termos controle sobre ela. Gostamos de acreditar que esforço, planejamento e dedicação são suficientes para determinar o tempo das coisas. Evidentemente, essas atitudes são importantes e fazem parte da responsabilidade que temos com a nossa própria vida. No entanto, cedo ou tarde descobrimos que existem acontecimentos que não podem ser antecipados apenas pela nossa vontade. A espera nos lembra, com delicadeza e também com firmeza, que existem limites para aquilo que conseguimos controlar.

Existe ainda uma reflexão que considero especialmente importante. Quase sempre imaginamos que, ao final da espera, receberemos exatamente aquilo que desejávamos quando ela começou. Entretanto, nem sempre é isso que acontece. O próprio tempo modifica a maneira como enxergamos a vida. Alguns sonhos permanecem, outros perdem a força e novos projetos passam a fazer sentido. A espera também tem a capacidade de purificar os nossos desejos, ajudando-nos a distinguir aquilo que era apenas um impulso momentâneo daquilo que realmente possui valor duradouro.

Quando olhamos para trás, percebemos isso com mais clareza. Quantas vezes lamentamos profundamente uma porta que se fechou e, algum tempo depois, compreendemos que ela nos protegeu? Quantas oportunidades que pareciam indispensáveis deixaram de fazer sentido à medida que amadurecemos? Quantos caminhos que inicialmente nos frustraram acabaram nos conduzindo a lugares muito melhores do que aqueles que imaginávamos? A experiência nos ensina que nem todas as respostas podem ser compreendidas no momento em que acontecem. Algumas só revelam seu verdadeiro significado quando a caminhada já ficou para trás.

Isso não significa ignorar que existem esperas dolorosas. Há períodos em que o silêncio machuca, a incerteza cansa e a esperança parece enfraquecer. Não seria honesto transformar toda espera em uma experiência bonita, porque muitas delas são acompanhadas de lágrimas, dúvidas e perguntas sem resposta. Ainda assim, talvez seja justamente nesses momentos que descobrimos uma força que não imaginávamos possuir. A maturidade raramente nasce da facilidade. Ela costuma ser construída exatamente nos períodos em que seguimos caminhando sem enxergar completamente o destino.

Para quem cultiva a fé, essa reflexão ganha um significado ainda mais profundo. Confiar em Deus não significa compreender todos os acontecimentos, mas acreditar que existe um propósito mesmo quando ainda não conseguimos percebê-lo. A fé não elimina a espera, mas transforma a maneira como a atravessamos. Ela nos lembra que o silêncio não é ausência, que a demora não representa abandono e que Deus continua trabalhando mesmo quando os nossos olhos ainda não conseguem perceber.

Talvez o verdadeiro oposto da espera não seja a pressa, mas a confiança. A pressa nasce da necessidade de controlar o tempo. A confiança, por sua vez, nos permite continuar fazendo a nossa parte sem sermos consumidas pela ansiedade de antecipar aquilo que ainda não chegou. Ela nos ensina que existem processos que não podem ser encurtados porque fazem parte da construção da pessoa que estamos nos tornando.

Ao final da caminhada, talvez descubramos que o maior presente nunca foi apenas alcançar aquilo que tanto desejávamos. Talvez o verdadeiro presente tenha sido perceber que a mulher que chegou até esse momento já não era a mesma que iniciou a jornada. Enquanto esperávamos por uma resposta, a vida também esperava por uma nova versão de nós mesmas. E essa transformação, silenciosa e quase imperceptível, talvez seja o maior valor da espera.

Seguiremos juntas aqui na coluna Mulheres, além do salto.

Até a próxima.

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