Amve e Cisamve lançam programa inédito para fortalecer corregedorias municipais no Vale Europeu

Existem histórias que nunca chegaram a ser escritas. Sonhos que permaneceram guardados, projetos que nunca saíram do papel e oportunidades que passaram sem serem aproveitadas. Não porque faltassem capacidade, inteligência ou dedicação, mas porque, antes mesmo do primeiro passo, uma pergunta ocupou espaço demais: e se não der certo?
Acredito que toda mulher, em algum momento da vida, já se deparou com essa pergunta. Ela aparece quando surge a oportunidade de mudar de profissão, começar um novo projeto, empreender, voltar a estudar, aceitar uma posição de liderança ou simplesmente decidir viver uma realidade diferente daquela que conhecemos. O medo faz parte da experiência humana e não há nada de errado em senti-lo. O problema começa quando ele deixa de ser um alerta e passa a conduzir as nossas escolhas.
O mais curioso é que o medo raramente se apresenta de forma evidente. Ele dificilmente diz: "desista". Na maioria das vezes, ele fala de maneira muito mais sutil. Sugere que ainda não é o momento, que talvez falte preparo, que é melhor esperar mais um pouco ou que outras pessoas são mais capazes. E, quase sem perceber, vamos adiando decisões importantes enquanto esperamos por uma segurança que talvez nunca exista.
Existe uma diferença entre prudência e medo, embora muitas vezes elas pareçam a mesma coisa. A prudência nos leva a buscar conhecimento, amadurecer ideias e agir com responsabilidade. O medo, por outro lado, nos convence de que nunca estaremos prontas. Enquanto a prudência prepara, o medo paralisa. E quando não conseguimos perceber essa diferença, corremos o risco de transformar a espera em um lugar permanente.
Talvez seja por isso que tantas mulheres deixem de descobrir a própria força. Não porque lhes falte potencial, mas porque nunca chegaram a experimentar aquilo que eram capazes de fazer. Quantas desistiram de um concurso antes mesmo da inscrição? Quantas adiaram um curso que desejavam fazer? Quantas guardaram um sonho de empreender, de mudar de cidade, de assumir uma nova responsabilidade ou de colocar em prática um projeto que poderia beneficiar tantas pessoas? Não sabemos como essas histórias terminariam. O que sabemos é que elas sequer tiveram a oportunidade de começar.
Percebo também que muitas mulheres carregam uma cobrança silenciosa de acertar sempre. Talvez por isso o erro pareça tão assustador. Existe o receio de decepcionar a família, de ouvir críticas, de precisar recomeçar ou de sentir que não foram boas o suficiente. Aos poucos, o medo deixa de estar relacionado ao resultado e passa a atingir a própria identidade. Como se uma tentativa frustrada fosse suficiente para definir quem aquela mulher é. Mas não é. Um resultado pode exigir uma mudança de rota; ele nunca determina o valor de uma pessoa.
Ao observar a trajetória de mulheres que admiro, percebo que nenhuma delas construiu uma história sem enfrentar momentos de insegurança. Todas tiveram dúvidas. Todas precisaram tomar decisões sem conhecer completamente o caminho. A diferença é que elas compreenderam algo importante: a coragem não nasce quando o medo desaparece. Ela nasce quando decidimos que nossos valores, nosso propósito e aquilo que Deus colocou em nosso coração serão maiores do que as nossas inseguranças.
Existe ainda um aspecto que merece atenção. Muitas vezes, imaginamos que esperar mais um pouco nos tornará mais preparadas, mais confiantes ou mais seguras. Mas a verdade é que a confiança dificilmente nasce antes da caminhada. Ela se fortalece durante o processo. Cada decisão tomada, cada desafio enfrentado e cada obstáculo superado ampliam a nossa percepção sobre quem somos e sobre aquilo que somos capazes de realizar. É caminhando que descobrimos forças que jamais conheceríamos se permanecêssemos sempre no mesmo lugar.
O medo costuma dizer que está nos protegendo do fracasso. Mas, em muitos casos, ele apenas nos afasta da vida que poderíamos ter vivido. A frustração de uma tentativa faz parte da caminhada e, quase sempre, ensina algo novo. Já o arrependimento de nunca ter tentado, pode permanecer por muito tempo, acompanhado da pergunta sobre o que poderia ter acontecido se tivéssemos dado aquele primeiro passo.
Talvez você esteja adiando uma decisão importante neste exato momento. Talvez exista um sonho guardado, um projeto esquecido ou uma oportunidade que continua esperando apenas a sua coragem. E talvez a pergunta que mais ocupa os seus pensamentos seja justamente esta: e se não der certo?
Hoje, gostaria de lhe propor outras perguntas:
· E se der certo?
· E se esse primeiro passo abrir portas que hoje você ainda não consegue enxergar?
· E se esse desafio revelar capacidades que você ainda não descobriu?
· E se Deus estiver preparando um caminho que só poderá ser conhecido quando você decidir caminhar?
A vida não oferece garantias sobre todos os resultados, mas ela nos convida a seguir em frente com responsabilidade, confiança e esperança. Algumas das histórias mais bonitas não começaram quando o medo desapareceu. Elas começaram quando alguém decidiu que ele não teria a última palavra.
Seguiremos juntas aqui na coluna Mulheres, além do salto.
Até a próxima.
Contato: @rubiarachadeldasilva / rubiarachadel@gmail.com
E se der certo
A comparação rouba a alegria
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