Florianópolis: Demolições no Ribeirão da Ilha expõem disputa entre moradores e prefeitura
Moradores do Ribeirão da Ilha relatam perdas após demolições em área de preservação, enquanto a prefeitura sustenta que a ação foi legal.

Moradores do Ribeirão da Ilha relatam perdas após demolições em área de preservação, enquanto a prefeitura sustenta que a ação foi legal.
Na última terça-feira (23), 31 construções foram demolidas no fim da Servidão Pedro Castanho, no Ribeirão da Ilha, em Florianópolis . As moradias estavam em Área de Preservação Permanente (APP) e, segundo a prefeitura, a legislação permite a derrubada imediata, sem necessidade de notificação prévia, quando os imóveis estão desocupados.
Famílias relatam surpresa e prejuízo
Moradores afirmam que não receberam qualquer aviso antes da chegada de viaturas, retroescavadeiras e da cavalaria da Polícia Militar. Muitos haviam comprado terrenos entre R$ 50 mil e R$ 170 mil, por meio de contratos de compra e venda, acreditando que eram regulares.
A diarista Edineusa Rocha de Souza , de 62 anos, natural do Rio de Janeiro, contou que investiu suas economias na compra de um lote de 210 m² em 2022. Parte do sobrado onde vive com a família já estava concluída, mas a obra foi embargada durante a operação.
“Falaram que era regular, porque todo mundo que comprou levou ao cartório. É o sacrifício da gente. O dinheiro foi gasto e não recuperamos mais” , desabafou.
Outra família, formada por um casal desempregado e cinco filhos, relatou que além da pequena casa de madeira construída em 2024, perdeu também o material doado para erguer um banheiro.
“As madeiras e telhas que tínhamos ganhado foram quebradas. Ficamos sem nada” , disseram.
Tentativas de regularização
Alguns moradores afirmam que, desde 2022, tentam legalizar a situação dos terrenos via Reurb (Regularização Fundiária Urbana) , processo que busca enquadrar áreas irregulares nos padrões exigidos pela legislação urbana. Fátima Miranda, que vive há cinco anos no local, apresentou documentos de compra do terreno adquirido por R$ 50 mil em 2020 e disse que levará tudo à delegacia.



