OPNIÃO

O castigo da eficiência e a urgência do verdadeiro federalismo

  

A BR-470 virou o símbolo mais evidente do descaso do governo federal com o estado de Santa Catarina. Quem precisa trafegar diariamente por essa rodovia no Vale do Itajaí sabe muito bem que o problema vai muito além do atraso crônico de uma duplicação que se arrasta há anos. O perigo ali é real, diário e custa vidas. Falamos de asfalto cedendo sem explicação clara, buracos enormes que aparecem logo na primeira chuva e desníveis grotescos em trechos que foram entregues ao tráfego há poucos meses. Isso não pode ser encarado apenas como uma falha pontual de engenharia. Trata-se do resultado direto de obras extremamente caras, mal executadas e tocadas sem nenhum critério por empreiteiras que a burocracia instalada em Brasília finge fiscalizar.

O cidadão honesto, que acorda cedo, paga impostos pesados e faz a economia regional girar, tem todo o direito de exigir explicações urgentes sobre o destino do seu dinheiro. Não dá para aceitar que investimentos anunciados na casa dos bilhões de reais entreguem um pavimento de péssima qualidade, incapaz de aguentar o tráfego diário dos caminhões que transportam a nossa produção aos portos. Onde está a fiscalização rigorosa das medições técnicas e dos contratos firmados com as construtoras? O dinheiro público, tirado com imenso esforço do bolso do contribuinte catarinense, continua sendo tratado pelo governo central como se fosse um recurso sem dono, desperdiçado sem qualquer responsabilidade.

Existe também um componente político muito evidente nessa história toda que precisa ser dito abertamente. Santa Catarina é um estado que construiu a sua história com base no trabalho duro, na livre iniciativa, no rigor fiscal e no respeito aos valores conservadores. O nosso povo nunca dependeu de favores ou assistencialismo do Estado para prosperar. O problema é que a estrutura política encastelada na Capital Federal parece punir justamente quem produz e cumpre com as suas obrigações. O estado que mais trabalha e menos dá dores de cabeça para a União é exatamente o mesmo que recebe o menor retorno proporcional do orçamento federal. Usar obras de infraestrutura básica como moeda de troca política ou pirraça ideológica é uma atitude apequenada que desrespeita diretamente o povo catarinense.

Essa situação vergonhosa da BR-470 escancara a falência completa do nosso modelo estatal. O Brasil se diz no papel uma República Federativa, mas funciona na prática como uma engrenagem tributária sufocante, injusta e altamente centralizada na capital do país. Brasília recolhe o grosso da arrecadação de quem trabalha e devolve apenas esmolas aos estados que realmente geram riqueza nacional. Santa Catarina envia bilhões de reais todos os anos para o cofre federal e depois precisa mandar comitivas a Brasília para mendigar verba para tapar buracos em rodovias federais. É uma humilhação desnecessária com uma região que carrega o país nas costas.

Garantir a liberdade de expressão é ter a coragem de falar a verdade sem rodeios. O pacto federativo atual é uma estrutura injusta que penaliza quem produz para sustentar uma máquina estatal pesada, cara e ineficiente. Santa Catarina não está pedindo privilégios ou favores a governantes de plantão. O que nós exigimos é autonomia para gerir a riqueza gerada aqui dentro e o cumprimento das obrigações básicas de infraestrutura, garantindo o direito do cidadão de ir e vir com segurança.

Enquanto o destino do nosso desenvolvimento continuar amarrado às decisões de gabinetes distantes da nossa realidade regional, vamos continuar convivendo com obras malfeitas, asfalto de péssima qualidade e prazos estourados. Descentralizar o poder e dar força real aos estados não é um debate teórico para acadêmicos. É a única forma prática de garantir que o esforço do trabalhador catarinense não seja jogado fora no ralo da ineficiência e do descaso do governo federal.