“Nós e outras associações queremos a criação de uma polícia única, estadual e desmilitarizada”
A unificação das polícias civil e militar foi um dos temas defendidos pelo presidente da Associação dos Delegados de Polícia de Santa Catarina (Adepol/SC), o delegado Ulisses Gabriel. Em entrevista à Agência Adjori de Jornalismo, ele revela por que esta pauta é tão importante para a corporação e também fala sobre segurança pública, efetivo policial e direitos da classe.

Agência Adjori de Jornalismo - Um dos temas discutidos pela Polícia Civil em 2015 foi a unificação das polícias. Esta é uma pauta de consenso entre as corporações ou é polêmica?
Ulisses Gabriel – A nossa associação de classe, assim como as de outros estados, tem sempre defendido a criação de uma polícia única, porque isso vai resultar em menos custo para o Estado e vai acabar deixando mais organizadas as instituições, no sentido de uma não interferir no trabalho da outra. Se tivermos uma só, uma com o trabalho de prevenção e a outra de repressão, fica muito mais fácil a gestão. Nós lutamos pela criação de uma polícia estadual e desmilitarizada.
Adjori - Hoje, a Polícia Militar cuidaria, em tese, da prevenção de crimes, e a Polícia Civil da repressão e investigação. Na prática é isso que acontece?
Ulisses – Não, na prática não é isso que acontece e muitas vezes o que acontece é uma invasão de atribuições, com a PM realizando investigações. Isso, muitas vezes, prejudica o trabalho dos dois, com duas instituições fazendo o mesmo trabalho.
Adjori – Que outros temas foram importantes para a classe em 2015, delegado?
Ulisses – Nós estivemos discutindo uma situação, que é a aposentadoria especial, onde o IPrev, em Santa Catarina e a PGE entendem que os policiais civis não têm mais direito à aposentadoria especial. Com 30 anos de contribuição, em razão da carga de trabalho, deveriam se aposentar. O policial civil trabalha muito, não dorme, acaba enfrentando o crime, isso desgasta muito fisicamente. Para se ter uma ideia, mais de 60 policiais morreram na atividade nos últimos cinco anos. Muitos adquiriram doenças graves, como câncer ou doenças cardíacas em razão da situação tensa inerente à atividade policial. O policial contribui cinco anos a menos que o servidor normal. Justamente em razão do desgaste. Muitos nem chegam a se aposentar, acabam morrendo antes. Por isso estamos lutando para que este direito seja atendido.
Adjori – Neste ano, o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, esteve no encontro da Adepol, em Florianópolis. Como referência em segurança no Brasil, o que ele trouxe como exemplo que poderia ser aplicado aqui em Santa Catarina?
Ulisses – Ele pontuou coisas bem interessantes. Primeiro: é preciso planejamento estratégico. Outro ponto é o investimento em segurança: no Rio de Janeiro, aumentou de R$ 2 bilhões para R$ 9 bilhões o orçamento da Segurança Pública. E a questão do efetivo: sem efetivo, não há tecnologia que resolva. Lá eles também terceirizaram os veículos: fizeram uma licitação e contratam uma empresa privada que fornece a frota com veículos novos, prontos pra uso, o que também tira policiais das oficinas e coloca nas ruas, para cuidar da segurança. Outro tema foi o pagamento de produtividade de policiais, de acordo com a resolução de crimes.
Adjori – Por falar em efetivo, este é um problema grave da Polícia Civil no Estado. Em quanto, hoje, está este déficit de efetivo?
Ulisses – Nós temos uma falta de aproximadamente 50% do efetivo e entendemos que conseguiríamos voltar a prestar um serviço de referência se este efetivo chegasse, ao menos, aos 70% - que é de 4,7 mil policiais, aproximadamente.
Com informações da Agência Adjori / Rede Catarinense de Notícias. Texto revisado pela redação.






