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Eleições e segurança

Justiça Eleitoral de Santa Catarina facilita voto em trânsito para vítimas de violência

Medida permite que mulheres com medidas protetivas votem em zona eleitoral diferente da do agressor, dentro do mesmo município

Justiça Eleitoral de Santa Catarina facilita voto em trânsito para vítimas de violência
Rede Catarinense de Notícias

A Justiça Eleitoral de Santa Catarina, em parceria com a Polícia Civil, passou a permitir que mulheres com medidas protetivas de urgência decorrentes da Lei Maria da Penha troquem temporariamente seu local de votação. A iniciativa usa a regra da Transferência Temporária de Eleitores, conhecida como voto em trânsito, para que a vítima vote em zona eleitoral diferente da do agressor, dentro do mesmo município.

Segundo a Justiça Eleitoral, o objetivo é oferecer à mulher a possibilidade de escolher um local mais seguro para votar, sem o risco de reencontrar quem a agride. O medo da perseguição ou de um reencontro com o agressor no dia da eleição poderia, de outra forma, afastar a vítima do cumprimento do dever eleitoral.

As medidas protetivas de urgência citadas na iniciativa podem incluir o afastamento do agressor do lar, a restrição de aproximação da vítima, de familiares e de testemunhas, além da proibição de frequentar determinados locais.

A iniciativa catarinense foi encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que pode avaliar a ampliação do serviço para todo o país a partir das eleições de 2028. De acordo com dados da Justiça Eleitoral, as mulheres somam 52,84% do eleitorado brasileiro, parcela que tem impacto direto sobre os próximos quatro anos de governo no país.

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A presidente do Movimento Mulheres Municipalistas (MMM), Tania Ziulkoski, afirmou que a medida pode ampliar a participação feminina no processo eleitoral diante dos altos indicadores de violência doméstica no Brasil. "Seria louvável que tribunais regionais façam adesão a essa política e que os municípios trabalhem pela divulgação desse direito, garantindo meios seguros para que as mulheres possam votar e transformar a política", destacou Tania.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) registrou 1.571 feminicídios em 2025, alta de 4% em relação ao ano anterior, além de 286.270 casos de violência doméstica, crescimento de 2,6% no mesmo período. Segundo a entidade, para cada feminicídio consumado no país há 84 registros de descumprimento de medida protetiva de urgência, o que equivale a 362 descumprimentos por dia, ou 15 por hora. O levantamento aponta ainda que 70 vítimas de feminicídio possuíam medida protetiva ativa no momento do crime.

Com informações da Rede Catarinense de Notícias ↗. Texto revisado pela redação.

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