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'Aqui ninguém está atentando contra a democracia', diz Mourão

Vice-presidente da República palestrou para empresários do setor industrial durante comemorações pelos 70 anos da Fiesc

'Aqui ninguém está atentando contra a democracia', diz Mourão

Vice-presidente da República palestrou para empresários do setor industrial durante comemorações pelos 70 anos da Fiesc

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, palestrou na manhã desta sexta-feira (28), em Florianópolis, e defendeu a posição do governo federal no respeito às instituições. "Aqui ninguém está atentando contra a democracia", disse, logo no início do discurso. A fala foi uma resposta à polêmica nacional que envolveu a convocação do presidente Jair Bolsonaro a manifestações críticas ao Legislativo e ao Judiciário; a ação foi amplamente criticada.

"Vamos ter clareza, vamos ter paciência, vamos chegar a um acerto. O que tem hoje é o Congresso buscando exercer parte daquilo que é sua prerrogativa e o Executivo também tem que exercer a dele. Se há uma zona cinza, uma zona de conflito, vamos acertar isso aí", disse, sobre o embate com outros poderes.

Apesar de minimizar o caso, Mourão assumiu que o conflito influenciou no trabalho do governo federal. Segundo ele, a proposta de reforma administrativa está atrasada esperando o clima amenizar. "O projeto do governo está pronto para ir para a Câmara. Com esses turbilhões que tem acontecido aí nos últimos dias, estamos aguardando o melhor momento para avançar. Mas ele não pode deixar de avançar", disse. A proposta mexe, principalmente, em carreiras e gestão pública.

Além de Bolsonaro, o vice-presidente também defendeu o ministro da Economia, Paulo Guedes. "Nós estamos entrando no sétimo ano de vermelho, desde 2014. O ano passado a gente conseguiu uma redução do déficit, que foi de R$ 95 bilhões. Era estimado R$ 124 bilhões. É o trabalho do ministro Paulo Guedes de fechar as torneiras e por isso que ele leva tanto tiro. Mas ele está suportando isso muito bem", afirmou.

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Mourão falou por pouco mais de uma hora. Ao final, foi aplaudido pelos mais de 300 espectadores. Na sequência, almoçou em Florianópolis e viajou de volta a Brasília. A palestra fez parte das comemorações pelos 70 anos de fundação da Federação das Indústrias do Estado de SC (Fiesc).

Novo Estado

Com auxílio de uma apresentação de slides, o vice-presidente exibiu um recorte da política econômica mundial. Falou do crescimento chinês, dos protestos na América do Sul e da proteção à Amazônia. Colocou o Estado brasileiro em perspectiva com as novas realidades tecnológicas e políticas.

Ele defendeu uma ampla reforma, principalmente focada em concessões, privatizações e desvinculação do orçamento. Falou pouco sobre assuntos atuais e contextualizou temas antigos. Criticou a Constituição de 1988 por "pensar no passado e no presente e não no futuro, gerando passivo previdenciário, excesso de gastos públicos e produtividade baixa".

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Além disso, afirmou que hoje "existe uma crise na democracia liberal". Segundo ele, o regime democrático começou a ser colocado em cheque "porque nas últimas décadas houve o declínio de pessoas empregadas, indústrias migraram de um país para outro, surgimento de empregos temporários - a uberização -, e tecnologias dissolveram a indústria".

Infraestrutura

O anfitrião e presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar, abriu o evento com uma apresentação sobre Santa Catarina e pediu mais investimentos em infraestrutura.

"São várias as demandas, mas preferimos tocar em um foco só, que é a questão da infraestrutura. Na nossa visão esse é a grande demanda de Santa Catarina. Temos tido um desempenho muito superior à média nacional, mas esse desempenho poderia ser muito maior se a nossa infraestrutura fosse melhor", afirmou.

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"Santa Catarina tem recebido poucos investimentos do governo federal. Precisamos melhorar essa relação e temos várias obras que podem contribuir com o desenvolvimento do Estado", disse.

Segundo ele, o objetivo é melhorar as condições logísticas. Para isso, é prioridade o eixo leste-oeste que envolve as BRs 163, 282 e 470. Também as ligações da BR-280 (Norte), BR-285 (Sul), e BR-101 (litoral). Além das rodovias, a Federação pede a construção de ferrovias no eixo leste-oeste, e outra ligando os portos.

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