Vamos falar de violência contra a mulher
“Em uma mulher não se bate nem com uma flor”. Essa frase eu ouvia desde que me entendo por gente, é um ditado antigo e bastante conhecido, mas infelizmente sem efeito na formação dos homens brasileiros. Na mesma semana em que a Lei Mari ada Penha completou 12 anos, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelou que Brasil registrou 60.018 estupros em 2017 (164 casos por dia!), um crescimento de 8,4% em relação a 2016. Além disso, foram 221.238 crimes enquadrados na Lei Maria da Penha (606 casos por dia) ao longo de 2017. Numa pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS) com 83 países sobre o assassinato de mulheres, nosso país ocupa a estarrecedora 5.a posição.
No mesmo Brasil em que ouvimos a fra seque abre esse texto, também ouvimos muito que“em briga de marido e mulher não se mete a colher” ou “ele não sabe por que está batendo, mas ela sabe porquê está apanhando”. Por muitas décadas, toleramos a violência doméstica como algo particular, algo em que ninguém deveria se meter. E sabem-se lá quantas mulheres foram mortas à margem das estatísticas.
O mundo mudou, mas essa realidade está mais presente do que nunca, como mostram os números recentes. Em Santa Catarina, um estado considerado dos mais avançados em diversos indicadores, tivemos em apenas cinco meses, (janeiro a maio), mais de mil casos de estupros consumados, de acordo com a Secretaria de Assistência Social, Trabalho e Habitação.
Não podemos nos conformar comisso.Temos muito mais acesso à informação, muito mais esclarecimento, mais instrumentos legais de proteção e defesa, mas continuamos vivenciando esse aumento escabroso nos casos de violência e feminicídio. Seja violência física, moral ou sexual, as estatísticas apontam que esse massacre só cresce. Antigamente se matava a mulher com a absurda justificativa de “defender a honra”. Hoje se mata a mulher simplesmente por sua condição de mulher.
Esse quadro exige políticas específicas, com delegacias e profissionais treinados para receber essas vítimas, além de atendimento médico e psicológico especializado. Mas essas são açõespaliativas,focada snas consequências. Precisamos trazer esse tema à luz em todas as esferas, discutir em sala de aula, educar e empoderar nossas meninas para que não aceitem nenhum tipo de discriminação ou assédio, que não tolerem nada que seja contra sua vontade. Mas, principalmente, educar nossos meninos, para que aprendam sobre respeito, acima de tudo.
As mulheres não precisam se provar. Sua capacidade é igual ou superior à dos homens em todas as áreas. Os homens é que precisam se reinventar. Tomar consciência do que pode implicar uma cantada, uma piada sexista, um tom de voz agressivo, um salário menor que o de um colega para uma mesma função. Em grande parte dos casos de violência física, a violência começou muito antes, com ataques à autoestima das mulheres, que muitas vezes chegam ao ponto de se sentirem culpadas pela agressão sofrida.
Crimes contra mulheres são crimes contra a humanidade. Não podemos perpetuar essa cultura de tolerância. Se nossa geração carrega essa vergonha, não permitamos que essa realidade continue nas próximas.






