Transição confusa
Ali pelos lados do senadinho da Praça XV, na Capital do Estado, já começa a surgir um burburinho dando conta de que está cada vez mais difícil identificar quem é o timoneiro da nau governista na capitania de Santa Catarina. Raimundo Colombo levou para o seu governo dois tucanos, Leonel Pavan, que diz que vai ficar embora Eduardo Moreira tenha declarado que não quer o partido no seu eventual mandato-tampão, e Vicente Caropreso, que já deixouaSaúdenofimdoanopassado.
O ainda governador também nomeou um secretário do Progressistas, Valmir Comin. Agora, parece que ninguém sabe se os dois vão ficar no governo, quem nomeia, quem demite, etc e tal. O cenário poderia indicar, para os mais gaiatos, que a nau está na iminência desedesgovernar.Ouatédeemborcar.
O Progressistas, importante lembrar, é o maior adversário do MDB em Santa Catarina. E vai ficar na eventual gestão de Eduardo Moreira caso efetivamente Raimundo Colombo renuncie? E mais: Comin ficará no governo até a desincompatibilização, no começo de abril? Os indícios apontam que, a partir de 16 de fevereiro, se não de direito, o MDB estará governando, de fato, Santa Catarina. Pelo menos até o prazo fatal para os candidatos deixaram os cargos e Raimundo Colombo decidir se renuncia ou não.
Nesteínterim(16defevereiro até o começo deabril),o MDB vai governar tendo em seus quadros um histórico do PP? Aiaiai. Com a proximidade do Carnaval, a turma já está começando a lembrar o clássico e famoso samba do crioulo doido!
Menos impostos
Deve ir a votação, ainda nas primeiras sessões ordinárias do Senado, PEC de autoria do senador Paulo Bauer, desonerando vasta lista de medicamentos. A PEC é de 2014, contou com a relatoria do falecido Luiz Henrique da Silveira, e na Comissão de Constituição e Justiça teve posição e articulação contrária da senadora petista Gleisi Hoffmann, ré na Lava Jato.
Intervenção providencial
Atento a articulação, Bauer requereu votação em plenário, o que está previsto ocorrer em breve. Nunca é demais pedir às nossas atentas liderança para que pressionem os senadores pela aprovação da proposta.
MDB no comando
O MDB volta, nesta terça-feira, ao comando da Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Aldo Schneider, parlamentar de segundo mandato, com atuação destacada, será eleito pelos seus pares após a renúncia de Silvio Dreveck (Progressistas), que pilotou a Casa no ano passado.
O mandato é de dois anos, mas o acordo firmado para a eleição no começo de 2017 estabeleceu a transição que se concretizará hoje. O último presidente do Parlamento que pertencia a oPMDB eque fez uma gestão plena foi Juarez Furtado, em 1987. Trinta e um anos atrás,portanto.Faztempo.
Aldo Schneider é reconhecido hoje em todas as bancadas como uma das principais lideranças políticas do Estado. Assertivo, conciliador e de conduta reta, tem tudo para fazer uma excelente gestão. Ele foi vereador por Ibirama. Sobressaiu-se pela atuação em favor da emancipação do então Distrito de Vitor Meireles. Foi o primeiro prefeito da cidade, que ele também administrou em outras duas oportunidades. Servidor da Fazenda estadual, Schneider atuou com osecretário de Estado da Regional de Ibirama, de 2003 a 2010, quando chegou ao Parlamento estadual.
Sucessão
Caso se confirme a renúncia de Raimundo Colombo, em abril, Aldo Schneider, como presidente da Alesc, será o segundo na linha sucessória estadual. Isso porque Santa Catarina ficará sem a figura do vice, hoje nas mãos de Eduardo Pinho Moreira. O também emedebista assumirá definitivamente com a renúncia do governador.
MDB dividido
Está correto o MDB em comemorar a ascensão do deputado Aldo Schneider à presidência da Alesc. Daqui a nove dias, Eduardo Moreira assumirá, interinamente, o governo do Estado pela décima sétima vez. O ato deverá marcar a posse, de fato (embora ainda nãodedireito),dele no poder central em Santa Catarina. Nos bastidores, Moreira já vem dando as castas há algum tempo. Significa que o partido estará controlando dois dos três poderes estaduais. Motivos, realmente, para satisfação dos emedebistas.
Feitas as ressalvas festivas, vale lembrar que a sigla, a maior de Santa Catarina, está dividida. De um lado, o próprio Eduardo Moreira. Caso ele entre na disputa para ser o candidato do MDB ao governo, é muito provável que possa contar com o respaldo de Casildo Maldaner e de Paulo Afonso Vieira. Na outra ponta, encontra-se o presidente estadual do partido, deputado federal Mauro Mariani. Correndo por fora estão Udo Döhler, cujo horizonte com vistas à candidatura ao governo é restrito a sete de abril, prazo fatal para sua renúncia à prefeitura de Joinville se quiser estar apto a participar do pleito; e o senador Dário Berger. Em silêncio, o ex-prefeito de Florianópolis vai comendo pelas beiradas. No frigir dos ovos, se não tiverem oportunidade de emplacar seus nomes, Dário e Udo ficarão em lados opostos. O senador com Mariani e o prefeito no grupo de Pinho Moreira. Configuraria uma disputa equilibrada nas fileiras do Manda Brasa. Pelo menos até a convenção homologatória. Historicamente, o MDB entra dividido em disputas, mas chega unido às urnas.
Ônus e bônus
Eduardo Pinho Moreira, no leme da nau catarina, vai tentar turbinar seu nome e credenciar-se,emcincomeses(não contabilizado aqui o período de interinidade), a disputar a reeleição. Terá o bônus da caneta e da visibilidade que o cargo confere. Mas há o ônus também.Moreira vai pegar uma verdadeira bucha. Sob o aspecto financeiro, o caixa estadual já emite sinais de alerta há muito tempo.
Turbulências
Na Saúde, área das mais sensíveis, o emedebista terá pela frente a dívida bilionária do governo como setor.A Segurança Pública está em xeque. E por aí vai. Engana-se quem pensa que Pinho Moreira irá ter céu de brigadeiro pela frente. Ele enfrentará muita ventania, turbulências e tempestades.
Placar
Dos 19 parlamentares federais de Santa Catarina, apenas cinco já se manifestaram favoráveis à Reforma da Previdência costurada pelo Planalto. São três tucanos (os dois senadores, Paulo Bauer e Dalirio Beber) e o deputado Marco Tebaldi; e dois deputados peemedebistas do Oeste, Celso Maldaner e Valdir Colatto. O MDB, partido do presidente, tem cinco federais e o senador Dário Berger. O resto é contra ou está indeciso em relação ao tema, ilustrando como é delicada a situação do governos oba perspectiva da reforma.
Com informações de Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina. Texto revisado pela redação.







