Tiro no pé
Dez anos depois da aprovação do Estatuto do Desarmamento, ao menos três projetos legislativos sobre o assunto tramitam no Congresso Nacional defendendo a liberação ou flexibilização do porte e posse de armas. No Senado, um Projeto de Decreto Legislativo propõe a revogação do Estatuto e prevê um plebiscito para consultar a população sobre o tema.
O assunto ganha luzes com o recente atentado em Las Vegas, nos Estados Unidos, em que um único homem armado exterminou quase 60 pessoas. A proximidade das eleições também tem feito com que críticos e defensores do desarmamento aqui no Brasil atirem com mais veemência seus argumentos–comperdão do trocadilho.
Sei que a discussão não é simplista e respeito os argumentos alheios,mastenho uma opinião bem clara sobre o assunto: não gosto de armas, sou contra seu uso e não quero viver onde as pessoas andem armadas.Gosto deu sara comparação com o cinto de segurança: houve casos em que pessoas morreram porque não conseguiram tirá-lo. Mas é infinitamente maior o número devidas salvas por ele.
O Estatuto do Desarmamento em vigor (Lei 10.826/03) prevê idade mínima de 25 anos para a compra de armas no Brasil desde que o interessado comprove sua efetiva necessidade. Uma proposta de um novo estatuto já foi aprovada em comissão especial da Câmara e aguarda análise do Plenário.Sesancionado,oprojeto delei vai liberar o porte de armas para qualquer pessoa com mais de 21 anos e capacidade técnica e psicológica comprovada.
Uma conclusão muito comum a que se chega em grande parte dos atentados é a de que o autor não demonstrava qualquer intençãode cometerocrime.Muitosdeles, antes de resolverem atirar, poderiam demonstrar perfeitas capacidades técnicas e psicológicas. O caso do atirador de Las Vegas é um exemplo clássico: entre seus amigos e parentes, ele jamais levantou suspeitas de que seria uma pessoa violenta. Mas cometeu o maior massacre TENDÊNCIA PARA OS PRÓXIMOS DIAS da história dos EUA.
Não existe comprovação de que a violência diminuirá se mais pessoas puderem ter armas de fogo. Essa é apenas uma “solução fácil” que ganha corpo no Brasil em meio à crise de segurança pública que chuvoso, com possíveis o país enfrenta. E quem é a favor do armamentismo não mede esforços em externar sua opinião e buscar adeptos. É uma campanha que vem ganhando cada vez mais Segunda-feira 23/10 força.Também vale lembrar que a indústria bélica é amaior interessa dano assunto.
O Mapa da Violência no Brasil de 2016 mostra que, embora a taxa de homicídios no país seja a maior do mundo e venha crescendo em números absolutos,ocrescimento proporcional do número de assassinatos tem sido menor ano a ano desde a entrada em vigor do Estatuto do Desarmamento. O Brasil tem muitos desafios de segurança pública a enfrentar. Mas se países como Japão, China, Indonésia e vários da Europa conseguem combater a violência restringindo cada vez mais o número de armas de fogo, nós também podemos.Em alguns dos países mais seguros, os policiais só têm autorização para o porte de armas não letais. Armas de fogo só para equipes especiais muito bem treinadas para enfrentamento sde casos extremos.
A arma que o Brasil precisa para atacar seus problemas é a educação de qualidade. Em torno disso, sim, precisamos nos unir.
Armamento civil é tiro no pé.






