SEE JORNAISQuarta-feira, 14 de outubro de 2026Leia também: Jornal Parole
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EDITORIAL

Tempo ruim

Um artigo escrito há anos contando uma história de um agricultor que ia todo feliz para a cidade vender suas mercadorias. No caminho fazia planos maravilhosos para a família e para o lugar onde vivia,jácontandocomosbelosresultados das vendas que conseguiria. Porém, não vendeu nada. Voltou melancólico, lamentando a falta de sorte. Ou seria sua incompetência em colocar produtos no mercado? O autor do artigo discorre sobre a atitude dos latinos americanos quefrenteàsdi culdadesdavida,gastam tempo e energia em intermináveis lamúrias a espera que um poder maior resolva seus problemas, em vez de focar na solução. Poderes representados por governos, instituições, políticos ou entidades sobrenaturais.

Já dizia um ditado popular dos países escandinavos: “Não existe tempo ruim, a roupa é que é inadequada.” Portanto de nada adianta se lamentar, precisamos nos adaptar as condições do tempo, esteja ele chovendo, congelando ou não. Isto é, existe a necessidade de focarmos na resolução dos problemas em vez de car em casa reclamando que lá fora está fazendo tempo ruim. O povo nórdico não caselamentandodadifícilvidaqueleva, sabe que se não resolver seus problemas de forma prática poderá morrer de frio, entãovaiàlutacomdeterminação,nãose importandocomascondiçõesadversas.

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Por outro lado, nós latinos, com toda a natureza em nosso favor: sol, água, terras boas, recursos minerais abundantes e rica biodiversidade; ficamos lamentando as dificuldades e pouco fazemos para resolvê-las. Lamúrias e resignação fazem parte do nosso DNA, pois chorar as mágoas em vez de agir é a nossa forma de viver, uma espécie de alívio psicológico contra as mazelas do dia a dia. A choradeira latina acaba se transformando em uma espécie de bálsamo, uma justificativa para não se fazer nada, um convite à preguiça e ao deixe estar que tudo se resolverá sozinho.

Não podemos mais car reclamando dos nossos atuais governantes. Somos responsáveis pelo que aí está e precisamos urgentemente tomar uma atitude para sairmos deste marasmo político e econômico que estamos vivendo.

O que não podemos é brincar de votar no próximo ano, pois daí então realmente devemos chorar.

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