SEE JORNAISQuinta-feira, 15 de outubro de 2026Leia também: Jornal Parole
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ARTIGO

Somos quem queremos ser?

A expressão "cada um no seu quadrado" soa quadrada demais para as jovens gerações. Lembra uma linha de produção, onde todos são iguaizinhos e não transcendem nenhum limite. Esses jovens, que estão mais para o “pensar fora da caixa", estão dando às gerações anteriores uma lição bastante interessante,quemereceser aprendida por nós, que somos pais. A lição de aceitação e respeito à verdade interior.

Grande parte dos adolescentes, jovens e até as crianças de hoje têm muito mais facilidade de aceitar as diferenças dos outros e de assumir as suas próprias. Assumir um estilo visual fora do padrão, uma profissão não tradicional ou mesmo uma orientação sexual diferente da de seus pais já não é tão dramático quanto seria para nós há algumas décadas. E essa liberdade de se roque sequer ser provavelmente dará ao mundo adultos mais bem resolvidos.

Dia desses li uma entrevista do jornalista Marcelo Tas, na qual ele contava como é ser pai de um transexual. Vencidas as dificuldades iniciais de aceitação, eles continuam formando uma família verdadeira, onde existe amor e compreensão. Num trecho da entrevista, o apresentador diz: "A vida é tão curta. Perdemos muito tempo desperdiçando oportunidades de ser feliz, de estar bem com as pessoas. Pais, não abram mão da vida e de seus filhos por causa do preconceito”.

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Orientação sexual, cor de cabelo, escolha da profissão não devem mudar o que os pais sentem pelos filhos. É claro que algumas escolhas deles são difíceis para nós. Mas nosso papel é orientar, apoiar e dar estrutura para que não dependam de nós,nem financeira nem emocionalmente. O que de melhor podemos proporcionar aos nossos filhos é aceitar que eles são seres novos, completos, não uma continuação de nós.

Talvez nossa resistência a certas novidades se dê pelo fato de não termos nos permitido essa autenticidade. Para muitos de nós, talvez, o principal na juventude tenha sido justamente o contrário: nosso esforço era em ser o mais"encaixados"possível nos padrões estabelecidos. Isso pode ter gerado adultos frustrados em alguns sentidos.

Éuma questão de evolução.Felizmente vemos com muito menos frequência casamentos arranjados, jovens grávidas expulsas de casa, crianças com doenças mentais escondidas num quarto. À medida que cresce a aceitação pela condição do outro, cresce a aceitação pelo que realmente somos e queremos ser. Autenticidade requer coragem numa sociedade ainda bastante castradora.

Claro que a nova geração também traz novos problemas. O recém-lançado livro “iGen:Porque as crianças super conectadas estão crescendo menos rebeldes, mais tolerantes, menos felizes - e completamente despreparadas para a vida adulta” já aponta alguns deles no próprio título. A publicação foi baseada em pesquisas e entrevistas em profundidade com 11 milhões de jovens americanos. A autora do livro, Jean Twenge, professora de psicologia da Universidade Estadual de San Diego, nos Estados Unidos, concluiu que a "geração smartphone"-aqueles que nascer ama partir de 1995 - vem amadurecendo mais lentamente que as anteriores. Por outro lado, segundo o estudo, é uma geração bem mais tolerante com pessoas diferentes e ativa na defesa de direitos LGBT e da população. Mas que, acima de tudo, acredita que as pessoas devem ser o que são.

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