Sem reformas, tudo é mais do mesmo
Sou otimista e acredito que devemos sempre alimentar a esperança. Mas ter esperança não significa esperar. Não podemos ser míopes em relação ao que virá se continuarmos na mesma inércia. Vivemos a maior e mais longa crise econômica de nossa história. Os Estados brasileiros – embora não sejam os responsáveis pela situação - são os mais afetados por ela, e já estão quebrados há pelo menos dois anos. A situação é crítica, inédita e gravíssima.
Quando na mesma e-quação temos PIB em queda acelerada e inflação em subida frenética, o resultado chega em forma de arrecadação negativa, altos custos e desemprego. Em Santa Catarina – estado com a menor taxa de desemprego do país – foram 82 mil pessoas que perderam seus postos de trabalho nos últimos doze meses. O quadro é este e, embora alguns especialistas apontem que o pior já passou, não vislumbro solução para a retomada do crescimento econômico no curto prazo.
Vejamos:hojeasmaioresdespesas do Estado são com a folha de pagamento dos servidores públicos ativos e aposentados. Essas duas despesas vão crescer acima da inflação e da arrecadação. O Estado vai precisar continuar contratando para dar conta da demanda e vai sobrar cada vez menos para investimentos. Mesmo sem novas contratações, se isso fosse uma alternativa política possível, a folha cresceria de forma vegetativa por conta de promoções, licenças, triênios, contratações tem-porárias.
Em Santa Catarina, 123% da receita já nascem comprometidos com repasses constitucionais e legais. A cada mês precisamos decidir o que não pagar. Os percentuais de vinculação são desproporcionais, mas basta falar em mexer nesses números para que surja o levante.
É claro que esse sistema faliu. Estamos ignorando a gravidade, não
Tempo aberto com possível geada do que ocorreu, mas do que virá. Precisamos tomar decisões como sociedade, enfrentando corporativismos. E essas decisões serão dificílimas. A sociedade não aceitará um hospital
Sábado 11/06 fechado com os órgãos e Poderes funcionando normalmente.
Não viveremos mais o super ciclo de arrecadação, e o ajuste fiscal dos estados passa necessariamente por
Tempo aberto com possível geada um ajuste do serviço público. Apenas a inteligência e criatividade poderão nos tirar dessa situação.
Em Santa Catarina temos trabalhado temas estruturantes, promovi- TENDÊNCIA PARA OS PRÓXIMOS DIAS do reformas, cortado custos. Se de um Segunda-feira 13/06 ladoasociedadereconheceeaplaude, de outro as críticas são muitas. Não estamos seguindo os manuais, dizem. Mas o que fazer quando velhas regras não são mais sustentáveis? Quando as
Tempo aberto com contas não fecham mais?
Se queremos ter esperança e garantias como a da aposentadoria no serviço público, precisamos promovermudançasmaioresjá,emcontexto nacional. Muitos dos que confiam em uma velhice tranquila sustentada pela previdência pública talvez não tenham se dado conta de que esse futuro corre sério risco. O Rio de Janeiro, recentemente, atrasou o pagamento de aposentados do Estado, que se viram em situação revoltante, depois de décadas de contribuição. Por pior que seja, o raciocínio é simples: se o estado quebra, não tem como pagar. Enquanto não se discutir com seriedade e objetividade temas como folha, previdência e vinculações obrigatórias, tudo o que fizermos no serviço público será mais do mesmo. Como já perguntava Caetano há 32 anos, em Podres Poderes: “será que esta minha estúpida retórica terá que soar, terá queseouvirpormaiszilanos?”.






