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Artigo do Senador Luiz Henrique da Silveira

Seis dias de netoterapia

Aproveitamos os feriados da semana de carnaval – Ivete e eu -- para fazer algo que sonhávamos há muito tempo: ir para uma fazenda com os nossos netos. Henrique (oito anos) e Luiza (quatro) ficaram, como imaginávamos, totalmente deslumbrados. Vivendo na Capital, passaram a compreender que o frango não nasce dentro de uma embalagem plástica de supermercado. Além, disso, cavalgar num cavalo bem mansinho; meter-se no meio das ovelhas; ver os milhares de pássaros nas árvores e voando; compreender como a soja cresce e o milho floresce, foi o “show” da natureza que queríamos lhes dar.

Arthur, o neto mais velho, já vai completando dezoito anos. Quis ficar em Joinville, com seus livros, cães e gatos. Mas Luiza adorou “dirigir” o carro elétrico que conduz os golfistas, e correr de um lado para o outro, como se estivesse no paraíso, ou se uma nave mágica a tivesse levado para a lua.

Henrique observa tudo: os bois, os cães e os “zorros”, uma espécie de cachorro do mato que vive atravessando em disparada os vastos campos da fazenda.

Há, no mundo inteiro, uma nova relação entre avós e netos. O aumento da expectativa de vida; os cuidados com o corpo e a mente; os ganhos com a medicina, especialmente essa nova especialidade médica, a da Geriatria, que a Dra. Anna Aslan descortinou – o Dr. Victor Fontana sabe bem disso! – com a sua Clínica Flora, em Bucarest, Capital da Romênia.

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Avós velhinhos passaram a ser os bisas, embora o Renato e Carminha Vianna, o Maestro José e a Sarah Mello sejam exceções nessa categoria. Aliás, como escreve Gabriel Garcia Marques em seu último romance, “a idade não é a que a gente tem, mas que a gente sente”.

Andar, correr, pular, nadar, pescar, jogar, cavalgar com os netos é coisa que os avôs de hoje fazem com facilidade. E o gostoso é que, depois de todas essas tropelias, vem o abraço e aquela frase mágica: “vovô, eu te amo!”.

De acordo com a rede internacional Help Age, há, hoje, no mundo, quase 900 milhões de pessoas com mais de 60 anos de idade. Em 2050, portanto, daqui a apenas trinta e cinco anos, serão dois bilhões, o que representará a cifra de 21% de sexagenários. É avô que não acaba mais!

Segundo pesquisas científicas abalizadas, os nascidos neste ano, viverão, em média, oitenta e três anos, se morarem em países desenvolvidos. Mesmo se nascerem em países pobres, da periferia mundial, ainda assim, terão uma expectativa de vida de 75 anos!

O importante é que os avôs das novas gerações sentem-se mais jovens, mais sadios, mais capazes de compartilhar a peraltice de seus netos. São avôs menos rígidos e mais tolerantes, mais parceiros, mais amigos de seus pequenos.

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Têm sido dias intensos, que, normalmente acabam com a vovó de cara fechada porque quer ver a novela, e nós -- avô e netos -- sintonizamos o canal da Peppa, dos Backyardigans ou do Madagascar. E ali vamos nós, aninhados num sofá, dando gargalhadas com as trapalhadas do Tom e Jerry.

Ah, que semana maravilhosa! Nada é melhor, mais gostoso e gratificante do que a netoterapia!

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