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Responsável ou popular: não dá mais para ser as duas coisas

Responsável ou popular: não dá mais para ser as duas coisas
Arquivo Cabeço Negro

Teoricamente, ao votarmos em alguém, transferimos a ele ou ela o poder de nos representar e tomar as decisões mais acertadas em nome da nossa sociedade.

Esperamos que com esse poder, nosso representante seja, no mínimo, responsável. Nem que para isso, precise tomar decisões muito difíceis.

Estamos vivenciando dias que provavelmente ilustrarão aulas de história do Brasil no futuro, em capítulos relacionados a uma grave crise política, econômica e social. Ainda não sabemos como este capítulo se encerrará. Mas a soma de conjunturas negativas projeta um futuro turbulento, talvez com manifestações populares bem maiores que as já vividas recentemente.

Esse quadro tem como origem a inconsequência política histórica do nosso país, que há muitas décadas vive uma realidade de muita promessa e pouca entrega; muita popularidade e pouca responsabilidade.

Infelizmente, às vezes é preciso chegar ao limite para então recomeçar de outra forma. Já passou da hora de tomar as decisões necessárias,equesãoasmaisdifíceis para quem ainda enxerga a política como palco. E aqui aponto um tema que é verdadeiro tabu para os administradores públicos e legisladores: mudanças no serviço púbico. Sem entrar em números, convido o leitor a refletir sobre o fato de que hoje os governos no Brasil existem basicamente para pagar dívidas e servidores ativos e inativos. Com isso, mais as vinculações obrigatórias, são raras as administrações que dispõem de recurso próprio para investir.

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Santa Catarina, por exemplo, há poucos anos, investia 10% de sua arrecadação. O que no meu ver, deveria ser o mínimo. Mas a folha comprometia pouco mais de 30% da receita. Hoje, com a folha beirando os 50% do que se arrecada, os investimentos só são possíveis com recursos de empréstimos. Se resultado de políticas de valorização desses servidores, ou de pressão de suas categorias, o fato é que literalmente e legalmente passamos dos limites. Movimentar milhares de servidoreseestruturaspúblicaseter cada vez menos recursos para devolver aos milhões de cidadãos em forma de obras e serviços é vergonhoso. Simplesmente não justifica a existência de um governo.

Chegou a hora de pensar e agir diferente do que estivemos (mal) acostumados há décadas. Se continuarmos com medo de trazer para a mesa temas como previdência, meritocracia, produtividade e direito de greve, estamos fadados à falência. Temos exemplos

Tempo nublado, com pelo mundo e pelo Brasil mostrando que o colapso chega sim, que as pessoas ficam ser receber aposenta- TENDÊNCIA PARA OS PRÓXIMOS DIAS dorias sim, que servidores e Segunda-feira 30/05 fornecedores ficam sem pagamento sim, que cidadãos ficam sem hospital, sem escolaesemsegurançasim.

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Nos acostumamos com a insustentabilidade e estamos pagando o preço por isso. Não se trata de ser contra o serviço público. É cristalino: sem mudanças, o servidor será a primeira vítima. O serviço público só se manterá com mais produtividade e resolutividade.

Se continuarem cedendo a pressões, os governos entrarão em colapso um a um – alguns já entraram. Que a sociedade entenda e, principalmente, apoie as mudanças necessárias. Que cobre de seus representantes essa responsabilidade, mesmo que signifique sua impopularidade.

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