Rememorando o Natal
"Glória a Deus nas Alturas, paz na Terra e boa vontade para com os Homens." Lucas, 2:14.
O advento do Natal, remete-nos a profundas reflexões a cerca da nossa existência. Natal, tem como sentido “nascer”. Comemoramos a data de 25 de dezembro como sendo o aniversário de Jesus, a provável data do nascimento do Cristo em nosso orbe. A presença de Jesus em nosso meio, marcou para sempre a humanidade, dividindo a história em dois tempos: antes e depois Dele. Jesus resumiu toda Lei e todos os profetas em dois mandamentos:
“Amar a Deus, sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Dessa forma aponta o
Amor como o “Sentimento por
Excelência”
que devemos construir dentro de nós, e por essa razão vivenciou o AMOR em sua plenitude, e através do seu “Evangelho”, que significa
“Boa Nova”, traçou-nos o caminho da nossa redenção.
Ao escolher a “Manjedoura” como berço, sinalizou a necessidade de tornarmo-nos simples e humildes. Só assim Jesus poderá nascer dentro de nós.
(...) Na exaltação do Natal do Senhor, acalentemos nossa fé em Jesus, sem nos esquecermos da fé que Jesus deposita em nós. Não desceria o Senhor da comunhão com os Anjos, sem positiva confiança nos homens.
É por isso que, da Manjedoura de Simplicidade e Alegria à Cruz da Renunciação e da Morte, vemo-lo preocupado na recuperação das criaturas.
Convida pescadores humildes ao seu ministério salvador e transforma-os em advogados da redenção humana. Vai ao encontro de Madalena, possuída pelos adversários do bem, e converte-a em mensageira de luz. Chama Zaqueu, mergulhado no conforto da posse material, e faz dele o administrador consciente e justo. Não conhece qualquer desânimo, ante a negação de Pedro, e nele edifica o apóstolo fiel que lhe defenderia o Evangelho até o martírio e a crucificação. Não se agasta com as dúvidas de Tomé e eleva-o à condição de missionário valoroso, que lhe sustenta a causa, até o sacrifício. Não se sente ofendido aos golpes da incompreensão de
Saulo, o perseguidor, e visita-o, às portas de Damasco, investindo-o na sua posição de emissário de Sua
Graça, coroando de claridades eternas... A fé e o otimismo do Cristo começaram na descida à estrebaria singela e continuam, até hoje, amparando-nos e redimindo-nos, dia a dia... Assinalando, assim, os júbilos do Natal, recordemos a confiança do
Mestre e afeiçoemo-nos à sua obra de amor e luz, tomando por marco de partida a nossa própria existência. O
Senhor nos conclama à tarefa que o evangelho nos assinala...
Nos primeiros três séculos de Cristianismo, os discípulos que lhe ouviram a Celeste Revelação levantaram-se e serviram-no com sangue e sofrimento, aflição e lágrimas. Que nós outros estejamos agora dispostos a consagrar-lhe igualmente as nossas vidas, considerando o crédito moral que a atitude d'Ele para conosco significa... Aprendamos, trabalhemos e sirvamos, até que um dia, qual aconteceu ao velho Simeão, da Boa
Nova, possamos exclamar ante a
Presença Divina: - “Agora, Senhor, despede em paz o teu servo, segundo a tua palavra, porque, em verdade, meus olhos já viram a salvação.”
(...) As legiões angélicas, junto à
Manjedoura, anunciando o Grande
Renovador, não apresentaram qualquer ação de reajuste violento.
Glória a Deus no Universo Divino. Paz na Terra. Boa vontade para com os homens.
O Pai Supremo, legando a nova era de segurança e tranqüilidade ao mundo, não declarava o Embaixador
Celeste investido de poderes para ferir ou destruir. Nem castigo ao rico avarento. Nem punição ao pobre desesperado.
Nem desprezo aos fracos.
Nem condenação aos pecadores.
Nem hostilidade para com o fariseu orgulhoso.
Nem anátema contra o gentio inconsciente.
Derramava-se o Tesouro Divino, pelas mãos de Jesus, para o serviço da Boa
Vontade. . A justiça do "olho por olho"
e do "dente por dente" encontrara, enfim, o Amor disposto à sublime renúncia até à cruz.
Homens e animais, assombrados ante a luz nascente na estrebaria, assinalaram júbilo inexprimível...
Daquele inolvidável momento em diante a
Terra se renovaria.
O algoz seria digno de piedade. O inimigo converter-se-ia em irmão transviado. O criminoso passaria à condição de doente. Em Roma, o povo gradativamente extinguiria a matança nos circos. Em Sídon, os escravos deixariam de ter os olhos vazados pela crueldade dos senhores. Em Jerusalém, os enfermos não mais sofreriam relegados ao abandono nos vales de imundície.
Jesus trazia consigo a mensagem da verdadeira fraternidade e, revelandoa, transitou, vitorioso, do berço de palha ao madeiro sanguinolento.
Irmão, que ouves no Natal os ecos suaves do cântico milagroso dos anjos, recorda que o Mestre veio até nós para que nos amemos uns aos outros.
Natal!
Boa
Nova!
Boa
Vontade!... Estendamos a simpatia a todos e comecemos a viver realmente com Jesus, sob os esplendores de um novo dia.
Com informações da Francisco Cândido Xavier / O Reformador. Texto revisado pela redação.







