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ARTIGO

Quem diria?

Quem diria?
Arquivo Cabeço Negro

Depois do que aconteceu na última semana, fica fácil apontar as causas da dimensão que tomou a greve dos caminhoneiros país afora. Mas até então vivíamos desconsiderando solenemente a possibilidade de ficarmos paralisados por uma greve dos profissionais do setor. A crise escancarou distorções tributárias, fragilidade do Governo, uma perigosa dependência rodoviária, entre tantas outras situações históricas. Mas até que aconte- “A lógica do Cisne Negro: O impacto do cesse, tocávamos nossas vidas sem atentar para esse risco. "Do nada", assistimos um movimento pacífico que cresceu rapidamente sem necessariamente um comando superior ou centralizado. E ficamos surpresos, admirados.Damesmaformaque ficamos em 2001, no ataque terrorista às torres gêmas nos EstadosUni-dos.Anossaenorme incapacidade de prever o improvável nos dá essa sensação de impotência.

A esses eventos raros e impactantes, que acabam por promover pequenas ou grandes mudanças no rumo da história, o escritor e matemático líbanoamericano Nassim Nicholas Taleb deu o nome de Cisnes Negros. Isso porque a humanidade acreditava que todos os cisnes erambrancos,atéqueumanimal da cor preta foi descoberto na Austrália. Ou seja: o fato de não conhecermos alguma coisa não quer dizer que ela não exista. No livro "A lógica do Cisne Negro: O impacto do altamente improvável", Taleb nos leva, ao longo de quase 500 páginas, a rememorar uma série de acontecimentos inesperados que acabaram por alterar os rumos da história - desde a descoberta, por Nicolau

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Copérnico,noséculo15,dequea

Terra não era o centro do universo, até o surgimento da internet.

Em comum, esses fatos tinham a característica de não terem os impactos de suas consequências calculados.

Nossas mentes são programadas para lidar com o que já vimos antes, por isso os cisnes negros são armadilhas lógicas.

Existem algumas formas de minimizar os impactos desses acontecimentos. Uma delas é ter informação - e trabalhar com ela por meio da gestão de riscos.

Nesse caso dos combustíveis, quem tinha estoques dos produtos essenciais para sua atividade profissional ou para a sua vida cotidiana, sentiu menos os efeitos do desabastecimento. Quem estava atento às primeiras notícias correu para encher o tanque e ganhou uma autonomia maior para sua locomoção.

Outra forma de lidar com o que não esperamos é abrir nossas mentes ao que não acreditamos. Quando prestamos atenção àquilo que não confirma nossas crenças, estamos desa- fiando nossas mentes, possibilitando descobertas e evitando a miopia mental, que nos impede de ver mais longe. Outra maneira de confrontar o imprevisto é tentar focar nas possíveis consequências que virão assim que ele acontece e, dessa forma, nos prepararmos para elas.

Quando somos totalmente surpreendidos, nos sentimos ignorantes. E essa não é uma sensação agradável nem fácil de aceitar. Por isso, imediatamente após um acontecimento "cisne negro", surgem rapidamente milhares de "especialistas" no assunto tentando explicar o que ninguém calculou. No momento estamos experimentando as consequências de um acontecimento inesperado. Mas ainda é cedo para saber se ele trará alguma mudança significativa, alguma quebra de paradigma, se será realmente um cisne negro.

Ou se, mais uma vez, estaremos somente pagando o pato.

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