Por que não eu?

Você provavelmente conhece esses dois tipos de pessoas: as que dispõem de todas as oportunidades, mas que parecem perdidas, não chegam a lugar algum; e as que, mesmo com todas as dificuldades, seguem em frente e alcançam seus objetivos.
Semana passada li num portal de notícias a história de Maria Aloísia, que se encaixa perfeitamente neste segundo perfil. Maria começou a trabalhar como faxineira aos sete anos e aos 17, já com dez anos de "experiência", não havia concluído n emo ensinofundamental.Nãotinhatempo para estudar, mas tinha muita vontade. Na primeira oportunidade, saiu de um povoado na zona rural da Bahia e foi para Salvador, onde conseguiu conciliar o trabalho de diarista com o estudo. Fez supletivo,concluiu o ensinofundamental e médio e passou a mirar no próximo objetivo:a faculdade de Direito.
Mas como chegar lá se não havia dinheiro para uma universidade particular e nem tempo livre para concorrer a uma das disputadas vagas em universidades federais? Das faxinas, Maria partiu então para um emprego fixo, numa empresa de limpeza, para que pudesse obter recursos do Fies - Fundo de Financiamento Estudantil-só acessível para quem tem carteira assinada. Vencido o vestibular, Maria varou madrugadas e nunca perdeu uma aula durante os cinco ano sde curso.Antesmesmo da formatura, descobriu que poderia antecipar a prova da OAB. Se fosse aprovada, receberia mais recursos do financiamento. Dois meses antes da conclusão do curso, já tinha a aprovação na prova da Ordem dos Advogados do Brasil. Conciliando estágio e faxinas, Maria formou-se advogada, aos 30 anos. Sobre a escolha da profissão, disse à reportagem que a motivação pelo Direito se deu pelo fato de que ela poderia efetivamente servir à sociedade.
Agora voltemos ao primeiro perfil descrito no início do texto. Os que possuem todas as condições para transformar um sonho em realidade. Família estruturada, boas condições financeiras, acesso às melhores instituições de ensino. Por que TENDÊNCIA PARA OS PRÓXIMOS DIAS muitas dessas pessoas se sentem desmotivadas, perdidas, sem estímulo para crescer pessoal e profissionalmente? Algumas até enveredam pelo popular "mau caminho", colocando tudo a perder, muitas vezes deixando os pais a se perguntarem o que fizeram de errado.
Acredito que a chave para a busca da felicidade seja ter um ideal. Enxergar, em cada pass oque se dá,um pas soa mais para Segunda-feira 07/08 alcançar um objetivo maior. Pode ser conhecer um país, ser um grande atleta, um músico, qualquer coisa. Mas ter um sonho faz toda a diferença, por mais inatingível que possa parecer.
Quando damos aos jovens todas as facilidades, podemos estar castrando essa gana por conquistar algo muito desejado. Não há motivação para se conseguir o que se ganha sem esforço.Pelocontrário:oque pareceria muito para alguns, passa a ser considerado o mínimo, não mais que a obrigação. Isso é muito nocivo para a formação da personalidade. Não defendo aqui que seja preciso sofrer para ter acesso às oportunidades. Mas é essencial que se dê valor a cada conquista. Que uma simples mesada seja sinônimo de recompensa. Que o trabalho seja um valor indispensável - mesmo àqueles que não precisariam dele para sobreviver.
O próximo sonho da Maria, aquela que limpava casas aos sete anos, é ser juíza. Esse é o seu ideal. Alguém duvida que ela vai conseguir?






