Por que a nota de SC foi rebaixada
Em minhas palestras e discursos públicos tenho demonstrado que Santa Catarina é um estado diferenciado social e economicamente, que ocupa o primeiro lugar no ranking de mais de quarenta indicadores e que é o último estado a entrar em crise e o primeiro a sair dela. Também costumo afirmar que, de outro lado, Santa Catarina não é uma Ilha – ou seja – somos parte da federação e invariavelmente atingidos pela conjuntura nacional.
E foi exatamente o que aconteceu na última semana, quando a agência de classificação de risco Standard & Poors rebaixou o rating do Brasil. O rating é uma análise feita por agências financeiras sobre a capacidade de um órgão (país, Estado, município ou empresa) de saldar compromissos financeiros.
Imediatamente, aqui em Santa Catarina, sabíamos que a nota do Estado seria rebaixada também, por mais que nossa situação fiscal esteja equilibrada, que sejamos o estado que ocupa o primeiro lugar em arrecadação e que tenhamos a menor taxa de desemprego.
Isto porque agências como a S&P não classificam subnacionais (Estados) acima do soberano (país). Quando a Standard & Poor ́s - primeira agência a rebaixar o rating no Brasil para o grau especulativo-tirouograude investimento do Brasil, rebaixando BBB – para BB + com perspectiva negativa, sabíamos que seríamos enquadrados na mesma situação.
O governo federal e os estaduais compartilham vínculoscríticos,poisamaior partedadívidadosEstadosé devida ao governo federal, e eles recebem financiamento indireto por meio dos bancos públicos. Santa Catarina é um estado bom pagador e um dos menos endividados do país. Nosso Estado, ao final do exercício de 2014, apresentava 45,14% de comprometimento da Receita Corrente Líquida em relação à dívida consolidada, ou seja, muito abaixo do limite de 200% determinado pelo Senado Federal.
Ocorre que a avaliação de risco habilita o estado a receber financiamentos com taxas de juros muito mais atrativas que as praticadas no mercado interno. Por isso, como consequência negativa para Santa Catarina, poderemos ter juros maiores quando precisarmos contratar um novo financiamento.
Importante deixar claro que nem todos os estados são avaliados pelas agências. O rating foi contratado pelo governo de Santa Catarina no final de 2012 para cumprir uma exigência do Bank of America para a contratação de operação de crédito para pagamento do resíduo da dívida.
Os ratings atribuídos pela TENDÊNCIA PARA OS PRÓXIMOS DIAS Standard &Poors são revisa- Segunda-feira 21/09 Terça-feira 22/09 dos pelo menos anualmente e, em julho de 2015, a agência alterou a perspectiva dos ratings do Brasil na escala global de estável para negativa, consequentemente mudando a perspectiva de estável para negativa dos ratings em escalas global e nacional de Santa Catarina.
Agora não será surpresa se a Fitch, outra das maiores agências de classificação de risco, também revisar a perspectiva dos ratings do Brasil de estável para negativa, assim como para os subnacionais brasileiros. São regras do jogo econômico que nos fazem desejar, por inúmeros motivos, que o país consiga superar a fase difícil econômica e politicamente e volte a crescer com foco em desenvolvimento.






