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Artigo

O verdadeiro projeto do PT

Com relação ao artigo publicado no jornal Cabeço Negro, na edição de 09 de abril de 2015, com o título “O projeto do PT”, de autoria do senhor Leonir Lunelli, gostaria de fazer algumas considerações.

O comunismo constitui uma corrente ideológica que já nasceu morta, oriunda de uma doutrina social que pretendia devolver o Estado a uma forma natural de sociedade. A propriedade privada dos meios de produção não deveria existir e teoricamente todos teriam uma condição igualitária. A tentativa de implantar tal forma de organização social e econômica não deu certo na antiga União Soviética e em outros países por um motivo óbvio: segundo Thomas Hobbes, John Locke e Adam Smith “o ser humano é competitivo por natureza” e a idéia de total igualdade não teve, não tem e jamais terá espaço em qualquer sociedade com um mínimo de desenvolvimento.

Acreditar que existe um plano para implantar o comunismo é o mesmo que aceitar a idéia de que uma intervenção militar seria algo bom para o Brasil. A administração militar também já provou não ser uma boa opção, por tantos motivos que não teríamos espaço para listá-los aqui. Devemos lembrar que foi justamente o temor de uma ameaça comunista que levou os militares ao poder em 1964. Hoje sabemos que a ameaça de fato não existiu e que tudo não passou de uma artimanha para o golpe militar.

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Além disso, afirmar que o PT tem qualquer tipo de plano para se perpetuar no poder ou implantar qualquer forma de comunismo, gramsciniana ou não, seria afirmar que PMDB, PR, PP, PSD e tantos outros partidos aliados e da base do governo federal estariam de acordo com tais intenções. O próprio PSD de Santa Catarina, através de Raimundo Colombo, declarou apoio a Dilma Rousseff nas últimas eleições. Portanto, o estelionato eleitoral, se existiu, precisa ser atribuído a toda a coligação e não só ao PT.

É compreensível que o autor do artigo em questão tenha embarcado nesta onda de ressaca póseleitoral, em que a pequena (mas legítima) diferença de votos entre os dois principais candidatos à presidência deixou um grande número de pessoas inconformadas. Como canta Zé Ramalho, “Vocês que fazem parte dessa massa...”, inflamados por uma conjuntura na qual a corrupção está presente em praticamente toda a administração pública, talvez não consigam se distanciar do problema o suficiente para uma análise mais racional e menos apaixonada e acabam se deixando influenciar por mitos como a ameaça comunista e a necessidade de intervenção militar, ou por utopias como a luta pela independência do Sul do país.

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Segundo Joseph Goebbels, “uma mentira contada mil vezes se torna verdade”. As grandes empresas de comunicação em massa, tendenciosas e com grandes interesses comerciais envolvidos em suas atividades, agem como base nesse princípio. Definem qual será o foco nos eventos que mais lhe interessam e que irão formar a opinião pública. Repetem tanto certas notícias, de tantas formas diferentes, que a maioria da população não tem sequer a chance de julgar a veracidade dos fatos. O que não interessa à grande imprensa e a seus patrocinadores é omitido. A recente investigação da Polícia Federal na operação Zelotes é um exemplo disso. Nesse caso, em especial, por envolver como cúmplices meios de comunicação importantes do país e grandes empresas patrocinadoras do horário nobre da TV, os fatos mal têm sido veiculados.

A corrupção que estamos conhecendo, mas que já existe desde o tempo do Império no Brasil, envolve praticamente toda a classe política e não pode ser atribuída a um partido apenas. Outra questão a ser levantada é que não teria como haver corrupção no setor público sem a participação da iniciativa privada. É através de contratos com particulares e outras formas de relação entre governo e empresas que bilhões são desviados.

O povo brasileiro está de parabéns. Tem mostrado maior consciência sobre a necessidade de participar da vida pública do país. Protestos têm sido realizados de forma ordeira e civilizada. A Constituição Federal garante o direito a essas mobilizações. O próprio PT as apoia. Porém, o fato dessas manifestações estarem sendo dirigidas fortemente contra o PT e o governo Dilma Rousseff deve-se ao desgaste natural, que todo grupo político enfrenta depois de mais de uma década no poder. Tal realidade também é compreensível.

O verdadeiro projeto do PT, ao contrário do que afirma o autor do artigo, é proporcionar ao Brasil um desenvolvimento sustentável, através de uma sociedade mais justa e solidária, porém livre. Afinal, não esqueçamos que o governo do PT retirou mais de 16 milhões de pessoas da miséria, diminuiu sensivelmente o déficit habitacional e proporcionou ao país desenvolvimento econômico em meio a uma crise mundial, entre outras realizações, fazendo renascer, inclusive, a quase extinta classe média brasileira. Portanto, esse projeto tornou sim as pessoas mais iguais, porém de forma livre, como resultado do trabalho, e não pela força da ponta do fuzil ou de qualquer corrente filosófica.

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