SEE JORNAISQuarta-feira, 14 de outubro de 2026Leia também: Jornal Parole
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O Tempo Não Para

O Tempo Não Para

Pra não dizer que não falei da música

O Tempo Não Para
Arquivo Jornal Parole

O assunto dessa vez é música. Talvez não tenha tanta relação com os assuntos que já abordei nesta coluna, mas a música está diretamente ligada à forma de pensar e agir de uma sociedade, ou deveria estar. Não vou nem quero defender este ou aquele estilo musical, e sim, a música como um todo. Lendo uma coluna do professor Luís Augusto Zillmer Cardoso no site Acontecendo Aqui, intitulada “O que foi que aconteceu com a música popular?”, chamou-me atenção o fato de eu não ser o único, ou um dos únicos, a pensar dessa forma.

“[...] não sei se você já reparou nisso, mas as três principais e tradicionais novelas em exibição no momento, da emissora referência nesse gênero, recorrem a composições de artistas das décadas de 1950 e 1960 em canções novas (Jóia Rara com Gilberto

Gil) ou releituras de músicas das mesmas épocas de seus compositores (Além do Horizonte, de Erasmo

Carlos e Eu Sei Que Vou Te Amar, de Tom Jobim).”

“[...] não sei o que isso significa para você, mas para mim demonstra o declínio da música popular brasileira na história recente. Os temas de aberturas de novelas historicamente buscaram apresentar artistas em evidência, seja por sua capacidade de composição ou potencial musical de se tornar uma referência, e que são lembrados até hoje pela maioria do público – basta ver o caso do grupo Roupa Nova que emplacou diversas canções em temas de novelas nos últimos 30 anos.

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Além disso, as novelas sempre foram uma forma de disseminar as manifestações culturais desse imenso país, entre elas a música.”

Zillmer ainda termina com uma constatação mais que clara e óbvia: “Mas quantos são os artistas musicais da atualidade que conseguem sobreviver à efemeridade de um ou dois sucessos compostos com letras monossilábicas sobre um arranjo de meia dúzia de notas?”

Eis a grande questão, meu caro professor.

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