Nada a perder II (Versão: Nação Brasileira!)
Passamos nessas últimas duas semanas por uma situação (historicamente) atípica no cenário nacional. As políticas do governo Temer (MDB), consequência de quase uma década e meia de governo PT, levaram os caminhoneiros a reivindicarem seus direitos, culminando no caos em que fomos submetidos. Contudo, o que faz com que governos cedam as exigências da população quase sempre precisa passar por reivindicações através de protestos, manifestações, greves, mobilizações que atinjam a estabilidade da continuidade dos poderes constituídos da nação.
Nesse sentido, os caminhoneiros fizeram uma manifestação pacífica em milhares de pontos em todo o país para exigir a diminuição de 30% nos preços dos combustíveis em geral e alteração de alguns quadros na política de trânsito relativos ao transporte de cargas, que influencia, indubitavelmente, os valores praticados no comércio, no produto final.
O que conseguimos compreender com toda essa situação é que os caminhoneiros (apesar de haver também maus profissionais, assim como outros setores da economia; eles mesmos reconhecem que existem motoristas que não são exemplos para ninguém) possuem uma capacidade de organização e mobilização digna de ser classificada como alto nível. O problema é que tivemos muitos populares (é claro que não podemos generalizar) que nãose engajou ao movimento. Esse talvez tenha sido o calcanhar de Aquíles das paralisações.
Todavia, conseguimos perceber que sem motoristas rodando nas estradas o país não funciona, consequentemente, gerando instabilidades ao governo. Por isso certas políticas foram modificadas como forma de atender algumas exigências, trazendo à tona, ao término dos diálogos de negociação, a impressão de simplesmente recebermos uma “esmola” como condicionante para encerrar a manifestação dos caminhoneiros.
É verdade que não conseguimos um resultado mais amplo, que seria a diminuição no preço dos combustíveis em geral. Mas, não podemos perder as esperanças, pois essa foi apenas uma batalha [parcialmente] perdida. Quem disse que seria fácil? Os caminhoneiros estão dispostos a partir para a guerra contra o governo, por isso a população precisa entender que precisa apoiar de forma unânime para queo governo respeite seu povo. Do contrário tudo será em vão.
E não esqueçam, essa foi apenas uma batalha. Nosso governo foi pensado para não sofrer com a interferência popular, bloqueando ações com contrapartidas quase que ditatoriais, autorizadas por lei. Porém, o que alguns políticos fizeram no passado, ao extinguirem o transporte ferroviário e fluvial das suas pautas de governo, permitiu essa demonstração de poder pelo povo. Esperamos que todos compreendam isso e numa próxima oportunidade a causa seja aderida por todos. A coisa não vai parar por aí. Com o desastroso governo Temer, e as eleições de outubro, o Brasil caminha para um período de graves turbulências nas rotinas sociais do país.
Política se faz com responsabilidade. E a moralização de uma nação não se dá de uma hora para outra, como num passe de mágica. Por isso este processo está apenas no início. O Impeachment de Dilma Rousseff talvez tenha sido o pontapé inicial. Eoquenosrestaé tornar perceptível esse processo a você leitor. Quanto tempo isso vai durar? Não se pode afirmar. Mas o importante nesse momento é a conscientização dessa situação por todos.
Lembrem-se, nada acontece num passe de mágica. Por isso vamos “comendo pela beirada”, especialidade do povo mineiro, que nos ensina que não podemos fraquejar.







