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Artigo

Menos gaiolas, mais asas

Considerado um dos mais importantes pensadores da Educação no Brasil, Rubem Alves defendeu ao longo da sua vida a criação de um novo modelo de Escola, escrita desse jeito mesmo, com letra maiúscula. Em uma de suas crônicas mais célebres, “Gaiolas e Asas”, falou na importância de “encorajar o pássaro a voar”, numa analogia ao papel da escola na construção do conhecimento.

Concordo com Rubem Alves e me dou ao direito de ir um pouco além: está mais do que na hora de colocar discussões ideológicas de lado em nome do debate sincero sobre o futuro da Educação noBrasil.Provaéo rebuliço causado pelas propostas apresentadas pelo Governo Federal no início de setembro, levando estudantes de todo o País a ocupar escolas euniversidades,num prot estoque em alguns casos acabou marcado pela violência.

Vi muita gente brava – e muita gente feliz também – com a ideia de rever a carga horária e o currículo do Ensino Médio. E vi muita confusão em torno do que foi divulgado. O que talvez falte entender é que o sucesso de qualquer proposta está atrelado à capacidade de mudar o que ocorre em sala de aula.

Não é de hoje que a Educação é tema de debates acalorados no Brasil. A primeira tentativa de mudança ocorreu em 1932, quando um grupo de 26 intelectuais lançou o “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova” e levantou a bandeira de uma escola única, pública, laica, obrigatória e gratuita. Somente em 1962 surgiu o Plano Nacional de Educação (PNE), que levou 26 anos para ser aprovado pelo Congresso e somente entrou em vigor em 2001.

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A história nos mostra que não é do dia para a noite que se muda um conceito ou mesmo um sistema. A Finlândia, que tem hoje a melhor Educação do mundo, 100% estatal e gratuita, levou cerca de 40 anos para alcançar a liderança do ranking anual do Pisa (Programme for International Student Assessment). O segredo? Talvez seja a combinação entre a valorização dos professores e um currículo que vai TENDÊNCIA PARA OS PRÓXIMOS DIAS além da boa e velha dupla português e matemática.

Elevar o padrão e a qualidade da nossa Educação é mais do que um item na agenda de modernização do País ou a garantia de melhoria das condições de vida dos brasileiros. Educar é garantir a inclusão em uma sociedade desigual. As escolas devem estimular o aluno a pensar, a argumentar e criar soluções. É preciso encorajar o pássaro a voar.

Com os melhores indicadores do Brasil,comoa menor taxa de analfabetos, Santa Catarina vem investindo pesado em Educação. Acreditamos que nossas crianças e jovens podem e devem aprender muito mais, construindo o conhecimento necessário para fazer melhor do que a nossa geração. Mais uma vez nos antecipamos e vamos largar na frente em 2017: 14 escolas terão o Ensino Médio Integral e outras 556 devem oferecer jornada diferenciada. Com investimento de cerca de R$ 500 milhões via Pacto por SC, o Governo do Estado deve entregar 14 novas escolas e a revitalização de outras 19 unidades no início do próximo semestre. Para a segunda metade do ano, serão outras cinco instituições, construídas do zero.

É nossa responsabilidade identificar os problemas e corrigir o curso, planejar, discutir e mudar. Compartilho novamente do pensamento do escritor ao acreditar que o futuro da Educação passa pela criação de menos escolas-gaiolas e mais escolasasas.Háesperança,RubemAlves!

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