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ARTIGO

Governo digital, cidadania real

Você sabia que é possível votar pelo computador de casa e abrir uma empresa em 18 minutos? Isso já é realidade. Lá na Estônia. Não bastasse isso, no país, que é modelo em inovação digital, a internet é gratuita para todos.

Além da distância física, estamos ainda muito longe de atingir o status da Estônia em termos de governo digital.

Mas não por falta de vontade dos usuários. No Brasil somos 120,2 milhões de usuários de internet ativos, sempre em busca de mais resolutividade e agilidade na prestação dos serviços públicos.

No caso do voto, estamos à frente de muitos países com a urna eletrônica e temos, sim vários outros exemplos positivos, como os portais de transparência. Mas essa inovação ainda não está presente como deveria nas administrações públicas. Um censo sobre a oferta de serviços públicos, realizado pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap), sob a coordenação do Ministério do Planejamento, mostrou que 71% dos brasileiros apontam a qualidade dos serviços públicos como a principal variável na percepção que têm sobre um governo. Hoje, dos serviços prestados, apenas 32% foram digitalizados, segundo o censo, que ca-talogou mais de 1.700 serviços oferecidos por órgãos e entidades de administração direta e indireta.

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Importante diferenciar que digitalizar não significa tornar um serviço digital. O segundo caso envolve visão holística dos processos e formação de um sistema colaborativo.Àsvezes,dentro de um mesmo governo, existem boas soluções, mas que não estão conectadas. A transformação digital começa com a gestão inteligente da informação e precisa estar fortalecida por políticas públicas para que tenha sucesso e continuidade. É um longo caminho, cheio de obstáculos, mas que vale a pena ser percorrido.

Um desses obstáculos é a opinião formada de que o investimento em sistemas e transformação de processos não compensa. Os resultados podem surpreender. Existem estudos internacionais que apontam que o serviço digital custa em média 3% do valor do serviço físico. Aqui no Brasil também há um estudo do Ministério do Planejamento que mostra uma redução de custo para o governo de até 97%. Sem falar na agilidade, que é, junto com a qualidade, o que mais interessa aos usuários.

Outro obstáculo é a burocracia que, embora necessária em alguma medida, considerando as dimensões no nosso Brasil, é exageradaeanti-quada.O cidadão não quer saber quem é o res-ponsável pelo que, nem quer ter que passar por várias etapas para chegar ao resultado que busca para sua demanda. Essa burocracia, que dificulta as coisas, se combate com padronização de processos e integração de sistemas. Para que repetir uma informação que já fornecemos no início do pro-cesso? Com padronização e sis-temas que se comuniquem, é possível eliminar muitas etapas.

Se estiver presente a visão de queo Estado existe para servi rea tecnologia também, o caminho é sem volta. No mundo hoje temos mais conexões entre aparelhos móveis do que pessoas. A tecnologia é o elo para aproximar os governos e cidadãos e resgatar a essência dessa relação.

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