SEE JORNAISQuarta-feira, 14 de outubro de 2026Leia também: Jornal Parole
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HORIZONTE DE LUZ

Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos

Entender a mensagem de Jesus, não é tarefa fácil. Exige certa dose de sensibilidade e muita reflexão.

Suas palavras e seus exemplos, mostram o caminho da redenção humana.

Precisamos estudar com muita atenção para absorvermos a verdadeira essência contida nas parábolas e nas máximas do Cristo. Uma interpretação apenas literária, não é o suficiente. É preciso ir além, pois a letra mata e o espírito vivifica. Então..., mãos a obra. É possível “AMAR O NOSSO INIMIGO?”. Se o Amor do próximo constitui o princípio da caridade, amar os inimigos é a mais sublime aplicação deste princípio, pois a posse de tal virtude representa uma das maiores vitórias alcançadas contra o egoísmo e o orgulho. Entretanto, há geralmente equívoco no tocante ao sentido da palavra “amar”, neste passo. Não pretendeu Jesus, assim falando, que cada um de nós tenha para com o seu inimigo a “ternura” que dispensa a um irmão ou amigo.

A ternura pressupõe confiança;

ora, ninguém pode depositar confiança numa pessoa, sabendo que esta lhe quer mal; ninguém pode ter para com ela expansões de amizade, sabendo-a capaz de abusar dessa atitude. Entre pessoas que desconfiam uma das outras, não pode haver essas manifestações de simpatia que existem entre as que comungam das mesmas idéias.

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Enfim, ninguém pode sentir, em estar com um inimigo, prazer igual ao que sente na companhia de um amigo. Amar os inimigos não é, portanto, ter-lhes uma afeição que não está na natureza, visto que o contacto de um inimigo nos faz bater o coração de modo muito diverso do seu bater, ao contacto de um amigo. Amar os inimigos é não lhes guardar ódio, nem rancor, nem desejos de vingança;

é perdoar-lhes, sem pensamento oculto e sem condições, o mal que nos causem; é não opor nenhum obstáculo à reconciliação com eles; é desejar-lhes o bem e não o mal; é socorrê-los em se apresentando a ocasião.

O Divino Mestre vai além e afirma: “não resistais ao mal que vos queiram fazer”. Tudo é sabedoria nos desígnios de Deus. Será que até do mal podemos extrair algo do bom? O Espírito Emmanuel, esclarece-nos no item 41 do livro “Vinha de Luz”, psicografia de Chico Xavier: (...) Geralmente, somos devedores de altos benefícios a quantos nos perseguem e caluniam; constituem os instrumentos que nos trabalham a individualidade, compelindo-nos a renovações de elevado alcance que raramente compreendemos nos instantes mais graves da experiência. São eles que nos indicam as fraquezas, as deficiências e as necessidades a serem atendidas na tarefa que estamos executando.

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Os amigos, em muitas ocasiões, são imprevidentes companheiros, porquanto contemporizam com o mal; os adversários, porém, situam-no com vigor. Pela rudeza do inimigo, o homem comumente se faz rubro e indignado uma só vez, mas, pela complacência dos afeiçoados, torna-se pálido e acabrunhado, vezes sem conta. Não queremos dizer com isto que a criatura deva cultivar inimizades; no entanto, somos daqueles que reconhecem por beneméritos credores quantos nos proclamam as faltas. São médicos corajosos que nos facultam corretivo. É difícil para muita gente, na Terra, a aceitação de semelhante verdade;

todavia, chega sempre um instante em que entendemos o apelo do Cristo em sua magna extensão.

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