Erro histórico
A greve dos caminhoneiros, independentemente das causas e da razoável justificativa, escancarou o grave problema estrutural do transporte nacional. Ao desprezar a construção de ferrovias e hidrovias, quando o senhor Delfin Neto (Ministro) no século passado, decidiu pelo fechamento de inúmeras ferrovias e abandono a própria sorte de outras, tornou-nos reféns do transporte rodoviário, algo inconcebível, em um país com 8,5 milhões de quilômetros quadradose209milhões de habitantes.
Éuma irresponsabilidade histórica sujeitar a sexta maior população do planeta a insegurança alimentar resultante do desabastecimento provocado pela paralisação de um único setor de atividade. Com a frota de caminhões inerte e obstruindo vias, houve falência instantânea da logística de distribuição de produtos agropecuários e da agroindústria. Colocou-se em alto risco o fornecimento de gêneros de primeira necessidade, além do prejuízo na produção das fábricas,e um povo coibi do em seu direito constitucional dei rev ir.
Os caminhoneiros prestam relevantes serviços ao País, que depende deles para movimentar a economia. Por isso, seria importante que fizessem uma reflexão mais serena sobre sua responsabilidade perante a Nação. Contudo, o maior problema não está no seu protesto ena forma como o externa m,m assim na incapacidade logística do país de prover as cadeia sde suprimento.
No Brasil há muito tempo, não existe sequer trens de passageiros. Tivemos, desde a redemocratização em 1985, mais de 30 anos para corrigir os rumos do desenvolvimento da infraestrutura de transportesmas,nadafoifeito.Paraseterideiadaincompetênciade nossos governantes, a complexa construção do Eurotúnel, numa extensão de 50,5 km sob o mar, demorou apenas oito anos, entre a sanção do decreto autorizando a obra, em 1986, e a sua inauguração, em 1994. Já no Brasil ao longo do tempo, há numerosos empreendimentos frustrados,como o tre mde alta velocidade entre o Rio de Janeiro e São Paulo e "sonhos" de hidrovias modernas que jamais saíram do papel. Apesar de nossas abundantes bacias hidrográficas, optou-se pela construção de rodovias ironicamente paralelas a rios navegáveis. Além da ausência de sistemas de transporte mais baratos e menos poluentes, parte expressiva da malha rodoviária está em situação precária.
Apenas com a boa vontade de nossos políticos seria possível acabar com a deficiência logística, que prejudica o agronegócio, ameaça a segurança alimenta rea saúde,barra exportações,limitao crescimento do PIB e causa danos aos setores produtivos e a sociedade, dotando o país de ampla e eficaz rede ferroviária e hidroviária com investimentos público-privados e com regras definidas e definitivas.
Com vontade política poderemos avançar muito na próxima década.






