Emprego: base da dignidade

Não adianta dizer que não gosta de política ou não se interessa por economia.
Esses são dois assuntos que, quer se queira ou não, interferem diretamente nas nossasvidas.Equandoaface cruel do desemprego bate à nossa porta, sentimos na carne os reflexos mais cruéis dos desmandos de quem decide os rumos políticos e econômicos da nação. Há mais de dois anos a taxa de desemprego vem crescendo de forma alarmante no Brasil, e já chega assustadoramente perto dos dois dígitos: 9% no quarto trimestre do ano passado, segundo a mais recente pesquisa do IBGE (Pnad Contínua). Isso significa que, entre setembro e dezembro do ano passado, tínhamos 9,1 milhões depessoassemtrabalho:um aumento de 40,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. É o maior crescimento já registrado na série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. São quase dez milhões de brasileiros sem perspectivas de honrar suas contas, inchando ainda mais os serviços públicos de saúde e educação, aumentando as filas para conseguir uma nova colocação num mercado demasiadamente conturbado. Cada desempregado é uma família desestabilizada financeira e emocionalmente.
Nesse cenário, Santa Catarina tem conseguido manter ininterruptamente a menor taxa de desemprego do país. Especificamente 4,2% na última pesquisa divulgada – o que é menos da metade da taxa nacional. Os motivos para essa colocação são vários. Em primeiro lugar, porque em Santa Catarina não houve aumento de impostos. Isso, por si só, garantiu a competitividade de grandes e pequenas empresas, que conseguiram manter os empregados em meio à crise. Se você é empresário, conta com um planejamento financeiro e, de repente, se vê obrigado a gastar mais com tributos, não terá muita opção a não ser cortar em outras áreas.
Sacrificar a folha de pagamento acaba sendo inevitável.
Outrarazãoéadiversidade da nossa economia. Ao não depositar todos os ovos na mesma cesta, fica maior a possibilidade de manter o equilíbrio. Nos últimos anos o Governo do Estado conseguiu fomentar novas cadeias de desenvolvimento em diferentes setores da economia, como o automobilístico e o de energias renováveis. O setor de exportação, que individualmente não é tão representativo em empregos, acaba tendo impacto positivo também, na medida em que há grande qua-
PREVISÃO DO TEMPO
Quinta-feira 24/03 ntidade de novas empresas no segmento. Fora isso, temos os setores catarinenses mais tradicionais, como o têxtil e o agronegócio, que continuam garantindo a estabilidade dos empregos – esteúltimocomaumentono número de vagas, inclusive.
Existe ainda o fator empreendedorismo, que é marca registrada do catarinense.
Segundo dados da Junta Comercial do Estado de Santa Catarina, foram abertos 82 mil novos negócios formais
TENDÊNCIA PARA OS PRÓXIMOS DIAS no ano passado e outros 12
Segunda-feira 28/03 mil só em janeiro deste ano.
Prova de que o catarinense não se acomoda e abre oportunidades na crise. Se perde o emprego, inicia um novo negócio.
Isso não aconteceria se não houvesse ambiente propício, com segurança jurídica, com serviços ágeis para facilitar a burocracia, com estabilidade tributária.
Embora ainda tenhamos muitoquefazerpararecuperarospostosperdidos(ataxa de desemprego cresceu 1,5 ponto percentual em relação ao fim de 2014), podemos nos orgulhar dessa equação entre iniciativa pública e privada. O trabalho dignifica o homem e a mulher e deve ser sempre prioridade para manter a engrenagem social e econômica em movimento.
O autor é doutor em Direito Público [email protected]
Com informações da Antonio Gavazzoni, secretário de Estado da Fazenda. Texto revisado pela redação.






