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ARTIGO

Comparando a postura política de Obama com Lula/Dilma

Na terça-feira, 12 de fevereiro de 203 o presidente Obama fez o tradicional Discurso sobre o estado da União, prática que abre o calendário presidencial nos Estados Unidos da América. Uma semana depois, na quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013 a presidente Dilma Rousseff e Lula comemoram os 33 anos do Partido dos Trabalhadores e dez anos da tomada do governo federal por parte do partido. Em ambos os casos os respectivos presidentes, dos Estados Unidos e do Brasil tiveram falas significativas (me desculpem a tautologia) em que demonstraram traços marcantes da postura como cada presidente conduzem seus respectivos governos.

Para além das especificidades de cada discurso, solapa em cada fala uma postura diversa, em especial sob duas categorias determinantes: a) sob a responsabilidade do desenvolvimento do país; e, b) da relação do partido na situação com os partidos da oposição.

Obama inicia seu discurso relembrando as palavras de John F. Kennedy, há 51 anos atrás, quando declarou ao Congresso que a Constituição não os torna rivais pelo poder, mas parceiros pelo desenvolvimento. Dizia Kennedy: “É meu dever, informar sobre o Estado da União, melhorá-lo é dever de todos nós”. No transcorrer de todo o discurso em seguidas vezes Obama insiste que os Estados Unidos da América chegou nesta condição, com todos os seus méritos e deméritos, porque o povo estadunidense desejou, e com trabalho firme tornou o desejo em realidade.

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Na contramão desta visão de que um país é resultado do esforça não da vontade e do esforço de um homem, mas de um povo, Lula, o Narciso tupiniquim, acredita sinceramente que antes dele o Brasil não era nada, não sendo mais que um bando de esfomeado entregue a própria miséria, e ele, o herói brasileiro, lutando contra a ordem neoliberal, assumindo um país sucateado, colocou o país no eixo do progresso, tornando este país na 4a potência mundial (sim, segundo a cartilha lançada pelo PT, o Brasil será até 2020 a quarta economia, mesmo que contra essas previsões, o IPEA, órgão do governo, faz sérias advertências). Talvez desconhece Lula que enquanto ele viajava para conversar com ditadores como o presidente do Irã, enquanto José Dirceu arquitetava o mensalão e Palocci se preocupava em aumentar 10 vezes o seu patrimônio, homens e mulheres de bem deste país suavam a camisa todos os dias para fazer o Brasil do Lula tornarse uma potência mundial. Peço-lhe Lula mais modéstia, antes de você, há sem número de brasileiros que trabalharam duro pra este país chegar até onde esta, desde o José da Silva, a Maria do Socorro, até Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Fernando Henrique Cardoso, muitos homens derramaram seu suor sobre esta terra antes de você.

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Tratando sobre a relação do seu partido com a oposição Obama deixa claro: “[os estadunidenses] esperam que coloquemos os interesses da nação acima dos interesses partidários”. É importante ressaltar que seguidas vezes o presidente americano pontua o trabalho conjunto dos dois partidos, Democratas e Republicanos, a exemplo da redução do déficit do governo, diz ele: “Nos últimos anos, os dois partidos trabalharam juntos para reduzir o déficit em mais de US$ 2,5 trilhões”.

Novamente, na contramão do exemplo americano, Lula, no seu ódio virulento contra a oposição, não economiza alegorias e toda sorte de eloqüência para tentar difamar o PSDB, o principal ator da oposição. Aécio Neves foi feliz quando percebe que o PSDB foi o ilustre convidado para as comemorações de dez anos de governo do PT, pois este, estando em festa, e podendo comemorar muitos ganhos para a nação brasileira, prefere usar o seu tempo para sair atacando o PSDB, num esforço visceral de eliminar qualquer forma de oposição. E nesta onda de ataques, até a Dilma Rousseff entrou na roda. Quando começou o governo em 2010 demonstrou sensatez e reconhecer que muitos homens trabalharam para construir esse país, reconhecendo assim os méritos não só de FHC, como de tantos outros homens. Mas, na virada de mesa, muda o discurso e passa a achar que o único que trabalhou neste país foi o seu padrinho de campanha.

Por fim, lembremos das falas do ex-presidente, Lula, quando diz: “[a oposição] pode mandar o que tiver, pois vão perder!”; e da então presidente, Dilma, quando diz: "Nas eleições pode-se fazer o diabo!". Nestas falas, não vejo caro leitor, um homem e uma mulher preocupados com o bem público, com um projeto de país, pelo contrário, vejo o coronel Lula e a coronela Dilma querendo salvaguardar as suas terras e o seu curral.

De fato, os políticos brasileiros tem muito a aprender com o presidente Obama. Começando com o respeito a oposição e sendo um pouco mais modesto, ao reconhecer que não é um homem só que construiu os Estados Unidos da América, ou, o Brasil.

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