COLUNA DO PRISCO
Braço direito
NapilotagemdeRaimundoColombo, um colaborador desempenhou papal determinante: Antonio Gavazzoni. OsecretáriodaFazendaconseguiucom maestria compatibilizar os gastos da folha e do custeio, bem como os investimentos,comaarrecadaçãoprópriado EstadoeosrepassesdaUnião.
Travessia
No cotejamento com outros Estados, a começar pelos vizinhos Paraná e Rio Grande do Sul, Santa Catarina navegou em céu de brigadeiro. Só que inicia 2016comsériosdesaos.Bastavericar a despesa do governo catarinense com pessoal, na relação direta com a receita líquida.
No limite
Enquanto o limite prudencial, estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, é de 46,55%, o limite máximo de gasto com a folha de pessoal é de 49%. Para se ter uma ideia, Santa Catarina bateu em 48,93%. Excluindo-se os sete Estados que já estão acima do limite, dos outros 20, o nosso é o primeiro, na iminênciadeingressarnafaixaderisco.
Ajustes necessários
Agora ca mais claro porque o governo empreendeu esforço máximo para aprovar um elenco de projetos nas derradeiras semanas que antecederam o recesso parlamentar. Não apenas a fusão dos fundos previdenciários e a elevação escalonada da contribuição tanto do Estado quanto do servidor, mas também as Medidas Provisórias da Segurança Pública e o Plano de Carreira do Magistério.
Desdobramentos
Se a Assembleia não tivesse descompactado a tabela dos professores, a partir de hoje estaria vigorando o novo piso salarial da categoria, com um acréscimo de quase 12%, o que implicaria em alguns milhões na folha de pessoal,extrapolandoolimitedaLRF.
Eleição
Ainda assim, o desao do Estado para 2016 vai exigir muita criatividade e, ao mesmo tempo, cintos apertados (economia), sob pena de comprometer as ações de governo. E com um detalhe: trata-se de um ano eminentemente eleitoral.
Temer x Renan
A convenção nacional do PMDB estáagendadaparamarçodesteano.Já se sabe que, pelo contexto atual, pelo menos dois grupos vão se enfrentar pelo comando do partido: o de Michel Temer, o vice-presidente que se assentou na proa peemedebista há 10 anos e que se distancia do governo; e o do senadorRenanCalheiros,presidentedo Senado e aliado que vem demonstrando delidade canina ao Palácio do Planalto. Renan quer desalojar Temer e eleger outro senador, Romero Jucá, homem de sua conança.
O teste de fogo que vai anteceder o pleito no Manda Brasa será a eleição para o novo líder do partido na Câmara, em fevereiro. Menino de ouro de Dilma e do governo, o deputado Leonardo Picciani vai tentar novo mandato. E a ala não alinhada articula para apresentar um nome da bancada de Minas Gerais, que, embora dividida, é a maior e não demonstra simpatia pela ex-mãe do PAC. Com duas eleições tão estratégicas à vista, o el escudeiro de Michel Temer, Eliseu Padilha, mandou avisar que o vice-presidente vai botar o pé na estrada. Percorrerá o país sob o pretexto de mobilizar a legenda com vistasaopleitomunicipaldeoutubro.
Projeto pessoal
Mas o pano de fundo da jornada de Temer serão as costuras para derrubar Picciani da liderança e renovar a presença de seu grupo à frente do maior partido brasileiro. A conferir como vão se comportar os seis deputados federais do PMDB catarinense, onde há cinco em sintonia com Temer (pelo menos até segunda ordem) e um, Celso Maldaner,alinhadoaoPT.
Componente local
Quando conquistou a liderança do PMDB, Leonardo Picciani contou com o respaldo dos seis deputados federais do PMDB. Tratou-se de um reexo do apoio que Eduardo Cunha emprestou ao correligionário e conterrâneo.
Defecção
Em dezembro, o líder Picciani foi degolado por negociar votos contra o impeachment em troca de cargos na esplanada. Sua queda durou uma semana. No retorno triunfal, patrocinado pelo Palácio do Planalto, ele só contou comoapoioeovotodeCelsoMaldaner. Os outros cinco catarinenses pularam fora do barco.
Deboche
Leonardo Picciani é o líder do PMDB porque bateu Lúcio Vieira Lima, irmão do notório Geddel Vieira Lima, por um voto. Seu oponente já declarou que, por acordo verbal aprovado por aclamação, o líder só poderiaterseumandatorenovadopordois terçosdosvotosdabancada.ComoPicciani não tem isso e, se vencer, será na estica por maioria simples, ele rebateu, assinalando quenãoexistetalacordo.
Lula intimado
O ex-mito Lula da Silva foi arrolado como testemunha de defesa do lobista AlexandrePaesSantos,oAPS,queestápreso no escândalo das medidas provisórias que o governo federal teria vendido, em troca de propina, para beneciar o setor automotivo quando o ex-metalúrgico aindaerapresidentedaRepública.
Quemautorizouaintimaçãodopetista foi o juiz Vallisney de Souza Oliveira, de Brasília. Ele é o magistrado responsável pela ação penal originada no âmbito da Operação Zelotes, da Polícia Federal, considerada, nos meios políticos, ainda maisexplosivadoqueaLavaJato.
A ação penal envolve 16 suspeitos. Eles foram acusado pelo Ministério Público Federal de articular um esquema de lobby e pagamento de propina com vistas a concretizar as MP's que favoreceram empresas do setor automotivo com benefícios scais. O rumoroso caso estourouemoutubrodoanopassado.
Família unida
O fundador do PT respondia pela presidênciaquandoduasMP's-471/2009e 512/2010 - foram editadas. Polícia e Ministério Público suspeitam que o lho mais novo de Lula da Silva, o empresário Luís Cláudio Lula da Silva, teria recebido recursos relacionados a uma terceira norma, a MP 627/2013, assinada pela presidente Dilma Rousseff. Uma das empresas de Luís Cláudio, a LFT Marketing Esportivo, foi agraciada com R$ 2,5 milhões,entre2014e2015.Aboladapartiude uma das empresas denunciadas por pagar propina no esquema. Nos bastidores, as informações revelam que o Natal e a virada de ano da família Lula foi tenso. O cerco se fecha.
Prolongamento da crise
Ao fazer um balanço do ano político e de seu mandato, desde que assumiu o Senado,apartirdemaio2015,comamorte de Luiz Henrique da Silveira (PMDB), o então suplente e atual senador Dalírio Beber(PSDB)analisaqueacriseeconômica epolíticapoderáseagravarem2016diante daincapacidadedogovernoDilmaRoussef de enxugar custos e admitir erros de gestão. Para o senador tucano, a possibilidade deimpeachmentcontinuaenãosetratade golpe, mas de mecanismo absolutamente democrático previsto na Constituição Federal para resolver uma situação como a atual no país.
Instrumento democrático
“O impeachment é o instrumento que a democracia confere ao parlamento para decretar o afastamento do governante que perdeu, por sua própria culpa, a legitimidadeparaoexercíciodopoder”,armaDalirio Beber,acrescentandoqueapresidentenão reúne mais condições de continuar governando o país, “não apenas porque não possui popularidade, mas porque perdeu a credibilidade de suas ações e gerenciou malacoisapública,”resumeDalirio.






