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ARTIGO

As lições de Hawking

Essa semana uma daquelas mentes brilhantes que de tempos em tempos povoam a Terra partiu. O físico teórico e cosmólogo britânico Stephen Hawking contrariou muitas probabilidades e nos deixou lições que vão bem além do seu inestimável legado científico.Ficarvivoatéos 76 anos foi uma delas. Hawking desafiou todas as previsões médicas recebidas após o diagnóstico esclerose lateral amiotrófica (ELA), aos 22 anos. A previsão era que sobrevivesse apenas por mais dois. Com o fundamental apoio de sua primeira esposa, Jane (sobre quem escrevi em artigo de janeiro deste ano) e da tecnologia disponível para sua comunicação, ele casou, teve filhos, separou, casou novamente e não interrompeu sua produção intelectual. Tornou-se doutor em cosmologia e foi professor de matemática na Universidade de Cambridge. Escreveu 14 livros, entre eles "O universo em uma casca de noz" e "Uma breve história do tempo". Por conta da ELA, Hawking,durante o estágio avançado da doença, só conseguia mover umdedoeosolhos.

Apesar de ser declaradamente ateu, sua longa vida foi praticamente um milagre. Na sua trajetória espetacular, Hawking mostrou que, embora não possamos determinar nosso destino, podemos dar o nosso melhor enquanto tivermos condições. E, se não as tivermos, podemos fazer mesmo assim, reinventando o jeito de fazer. A partir de sua cadeira de rodas, Stephen confrontou e derrubou teorias, mudou a maneira de pensar de muitos “gênios” e influenciou toda uma geração de cientistas pelo mundo. Se tornou um dos cientistas mais conhecidos do mundo ao abordar temas como a natureza da gravidade e a origem do universo. Não utilizou todas as desculpas a que teria direito para se submeter às limitações físicas.

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Mostrou que não precisamos de pernas para ir longe, mas de amor e apoio. Que mesmo um gênio só o pode ser se aceitar ajuda. Que o que somos é muito maior do que o que paremos ser. Hawking foi um exímio comunicador sem falar, um homem bem humorado sem gesticular. Um ser humano gigante, apesar de seu corpo frágil e franzino. Em uma de suas muitas frases célebres, ele disse, aos 70 anos: “Olhem para as estrelas, não para os seus pés”.

Não se acomodem, não se apequenem, não se prendam ao que não podem fazer, não se sintam o centro do universo, vivam, voem. Com sua existência, Hawkings deu um soco no estômago de uma sociedade que cada vez mais cria prisões para si mesma. Que se apega a gênero, raça, condição social, moda, status e opiniões alheias. Como somos pequenos diante do nosso enorme potencial realizador. Nossas prisões somos nós que erguemos.

Em 2004 ele declarou à revista The New

York Times: "Minhas expectativas se reduziram a zero quando tinha 21 anos. O restante foi um presente." Viver sem expectativas pode ter sido justamente a chave para sua longevidade. Como última lição, Stephen Hawkings mostrou involuntariamente que a ciência também é falha, quando tem a pretensão de determinar nosso tempodevida,nossacapacidade e nosso destino após partir dessa existência. E que quando deixamos um legado, continuamos vivendo por muito tempo na memória dos que ficam.

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