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ARTIGO

A voz da experiência

Há pelo menos dois anos acompanhamos pelo noticiário político mundial a ascensão dos chamados outsiders – candidatos a cargos públicos que se apresentam como o novo, a renovação, e se lançam ao desafio de governar. A oxigenação na política é saudável e necessária. Mas é importante galgar degraus e estar preparado para representar os eleitores. Essa “criminalização” da política que vemos atualmente pode acabar com um atributo importantíssimo para os governantes: a experiência.

É de Tom Jobim a célebre frase“o Brasil não é para principiantes”. Ainda mais em tempos de crise política e econômica. O próprio fenômeno Jair Messias Bolsonaro, que angariou a imensa maioria dos votos do primeiro turno das eleições presidenciais Brasil afora, pode ser uma novidade para muitos eleitores. Mas desde 1991 ele é deputado federal, está no seu sétimo mandato.

Estamos vivendo uma eleição absolutamente peculiar, que exige sacrifícios, disposição e assunção do risco de sofrer calúnias, ofensas e difamações. Sem falar na total ausência de previsibilidade dos desdobramentos de resultados. Por isso a experiência acumulada é muito bem-vinda para a atuação nos poderes executivo e legislativo.

OlivroForadeSérie–Outliers,de Malcolm Gladwell, fala sobre a famosa Lei das 10.000 horas, segundo a qual qualquer um, de qualquer área de conhecimento, pode se tornar especialista em nível de excelência em qualquer assunto, mas somente depois de praticar por pelo menos dez mil horas, ou aproximadamente, dez anos.

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Claro que nomes fora da política também podem ter condições de administrar um país ou um estado. Mas é a experiência que faz a diferença.Podemos saber deca boa rabo as leis de trânsito, observar atentamente os movimentos dos motoristas, conhecer de cor e salteado os trajetos a serem percorridos. Mas se nunca tentamos dirigir, se o fizermos sem treino prático, seremos um sério risco aos demais motoristas, aos pedestres e a nós mesmos. O nosso saber nunca está completo sem a experiência. Tudo o que dissermos será suposição se não tivermos vivência anterior.

Um dos principais valores da experiência é a possibilidade da empatia,quenos mostra que a teoria é sempre limitada em relação à sua precisão.Quem vive uma situação na própria carne tem muito mais propriedade do que quem apenas ouviu falar.São as experiências que ampliam nosso saber e abrem nossas mentes. É preciso viver por nossa conta tudo o que pudermos antes de nos oferecermos a representar os outros.

Épreciso conhecer ocampo para representar o agricultor; a iniciativa privada para representar o empresário; o funcionamento da política e de seus bastidores e pressões para construir o mínimo de governabilidade. A renovação é fundamental, mas é preciso preparo para os desafios que a política impõe. Mudança pressupõe algo melhor, e a experiência testada ajuda a transformar.

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