observatório geoespacial de SC

Seplan e FURB avançam em tratativas para criar IDE/SC, observatório geoespacial de SC

  • Imagem divulgação - Seplan busca parceria com a FURB para estruturar plataforma estadual de dados espaciais

Seplan e FURB avançaram em tratativas para criar a IDE/SC, plataforma que centralizará e padronizará dados espaciais de Santa Catarina. A iniciativa busca entregar inteligência estratégica ao governo, reduzir custos e ampliar transparência, mas ainda precisa definir governança, padrões técnicos e etapas de implementação.

A Secretaria de Estado do Planejamento de Santa Catarina (Seplan) avançou, nesta semana, nas tratativas com a Universidade Regional de Blumenau (FURB) para criar a Infraestrutura de Dados Espaciais de Santa Catarina (IDE/SC), plataforma estadual que promete transformar como o governo toma decisões sobre o território. A comitiva da Seplan foi recebida pela reitora Márcia Sardá Espíndola na reitoria da universidade, onde as conversas se concentraram na cooperação técnica para estruturar o que nos bastidores já é chamado de um “observatório” do Estado.

Uma visão integrada do Estado

A IDE/SC tem como objetivo centralizar, padronizar e cruzar dados hoje dispersos entre diferentes órgãos estaduais — mapas, imagens de satélite, bases cartográficas e camadas temáticas — para oferecer uma visão integrada do território. Na prática, a ferramenta deve entregar inteligência estratégica à mesa de quem formula políticas públicas, auxiliando em planejamento urbano, gestão de riscos, atração de investimentos e decisões ambientais.

FURB como parceira técnica

A escolha da FURB para entrar no projeto não foi casual. A universidade assume papel de destaque como parceira técnica, ampliando sua atuação para além da pesquisa acadêmica e contribuindo diretamente na engrenagem da gestão pública. Para a Seplan, a aproximação também representa uma estratégia de incorporar mais densidade técnica e inovação externa à máquina estatal.

“O objetivo é transformar o acervo de informações territoriais em um grande observatório, com dados e imagens que sirvam de base para decisões governamentais mais assertivas”, afirmou o secretário de Estado do Planejamento, Arão Josino, durante a visita. A iniciativa será conduzida pela Diretoria de Desenvolvimento e Gestão Territorial (DIDT), responsável pelo ordenamento e planejamento estratégico do território catarinense.

Se implementada conforme o plano, a IDE/SC pode reduzir custos operacionais ao evitar duplicidade na produção de dados, melhorar a integração entre secretarias e órgãos, e ampliar a transparência sobre uso do solo, infraestrutura e áreas de risco. Especialistas apontam que uma plataforma bem estruturada tem potencial para funcionar, no ambiente governamental, como uma espécie de “Google Maps” com camadas de inteligência aplicadas à gestão pública.

Desafios e governança

Apesar do potencial, o projeto enfrenta desafios técnicos e de governança. É necessário definir regras claras sobre quem valida e atualiza os dados, estabelecer padrões técnicos (como os recomendados pelo Open Geospatial Consortium — OGC) e criar protocolos para proteger informações sensíveis sem comprometer a transparência. A capacitação dos órgãos produtores e dos usuários também aparece como requisito essencial para assegurar a qualidade das informações a longo prazo.

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Seplan e FURB devem aprofundar o diálogo técnico nas próximas semanas para formalizar possibilidades de cooperação institucional. O roteiro previsto inclui mapeamento das bases existentes, padronização de metadados, desenvolvimento de um protótipo e execução de testes‑piloto. Especialistas consultados sugerem iniciar por pilotos temáticos — por exemplo, mapas de áreas de risco de deslizamento e enchente —, que costumam gerar impacto social imediato e demonstrar valor em curto prazo.

O que muda para a sociedade

Com dados mais acessíveis e padronizados, cidadãos, pesquisadores e empresas ganham instrumentos para planejar projetos, avaliar riscos e fiscalizar obras e políticas públicas. A Seplan e a FURB informaram que divulgarão cronogramas e eventuais consultas públicas à medida que o trabalho avançar.

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