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"Vivemos o tempo em que nos falta tempo"

Em entrevista à Rede Catarinense de Notícias (RCN), o reitor da Unisul, Mauri Luiz Heerdt, falou sobre os novos rumos na educação, sobre o ensino a distância e a parceria com a Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina (Adjori/SC). Confira:

"Vivemos o tempo em que nos falta tempo"
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Rede Catarinense de Notícias (RCN) - Uma parceria pl rmada entre a Adjori e a Unisul permitiu a criação da Universidade Corporativa Adjori/ Unisul, no ano passado. Às vésperas do início do primeiro curso a distância aos associados, como o senhor avalia esta novidade?

Mauri Luiz Heerdt - Entendo esta parceria entre Unisul e Adjori/SC como um valioso instrumento que faltava para acelerar o desenvolvimento dos jornais do interior do nosso Estado. Não me retiro somente aos benefícios que serão aproveitados na melhoria dos processos de gestão dos jornais associados à Adjori, mas ao reflexo direto na qualificação dos profissionais atuantes nos veículos associados. A iniciativa já deu mostras dos possíveis bons resultados advindos do trabalho praticado em conjunto. Exemplo disso é o seminário virtual 'Forma e conteúdo para apresentar seu projeto gráfico', ministrado em novembro de 2017 para cerca de 60 participantes residentes em diversas regiões do Estado. O êxito confirmou as boas projeções dessa parceria e ofereceu uma prévia do que poderá ser alcançado com o curso de Projeto Gráfico e Design, na modalidade a distância, que terá início em 26 de fevereiro. Neste processo, o que mais uma vez alcançamos é o cumprimento de nossa missão como universidade comunitária e inovadora, pois é por intermédio de parcerias e projetos úteis como este, que colaboramos efetivamente para o desenvolvimento das regiões onde estamos presentes.

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RCN - Com a UnisulVirtual, a universidade está ultrapassando as fronteiras de Santa Catarina. Como está a aceitação do ensino a distância no Estado e no país?

Heerdt - Sim, a Universidade pôs abaixo seus 'muros' como efeito da própria diluição das fronteiras de uma sociedade que sociólogos como Zygmunt Bauman definem líquida, fluida. DesdeofinaldoséculoXXtemos falado que o mundo está mudando. Passados quase 20 anos após o início do século XXI, embora continue em seu processo de transformação, faz mais sentido dizer que o mundo já mudou em muitos aspectos. Vivemos um tempo em que nos falta tempo. Com sua flexibilidade, o ensino a distância (EaD)vem, exatamente, suprir a exigência quanto à agilidade nos estudos e novos meios de se adquirir formação. É importante destacar que as mensalidades mais baratas da EaD também exercem um forte atrativo. Temos alguns dados divulgados pela Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) que comprovam esse crescimento do EaD, com cerca de 23,1% de concluintes em comparação a aproximadamente 9,4% nos cursos presenciais. Ainda segundo a ABED, em 2014, o total de matriculados já alcançava cerca de 3,8 milhões. Paralelamente a todos esses fatores, o acesso à internete se ampliou no Brasil. As novas possibilidades são inúmeras. São tantas que a Unisul criou o Inova EaD, iniciando pela remodelação do seu espaço virtual de aprendizagem, o EVA, resultando em uma interface mais clara e atraente, incluindo ampliação da simples oferta de cursos para a oferta igualmente de soluções e serviços que irão beneficiar ainda mais a comunidade. Na Unisul, ensino a distância e presencial estão cada vez mais próximos.

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RCN - O ano de 2017 foi difícil para a economia. Houve reflexos também no ensino?

Heerdt - Mesmo antes de 2017 temos sentido o impacto das exigências de um mundo que já não se move de acordo com os padrões de 25 ou 30 anos atrás. Paralelamente às alterações e avanços decorrentes da tecnologia, o Brasil tem vivido dificuldades econômicas que afetam o poder aquisitivo das famílias e, em consequência, as condições para pagar os estudos de seus pl lhos. Obviamente, as instituições de ensino superior não conseguiriam sair incólumes desse cenário. Na verdade, nada no país pode sair ileso de um montante de 13,5 milhões de desempregados e queda de 3,6% do PIB – registrados em 2016, segundo o IBGE. Isto significa que não apenas tivemos redução no número de matrículas e crescimento de situações de inadimplência, mas também sofremos um aumento significativo de evasão de estudantes. Reflexos muitos sérios, como se pode perceber.

Com informações de Rede Catarinense de Notícias (RCN). Texto revisado pela redação.

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