“Uma recuperação mais robusta deve vir somente no segundo semestre de 2017”
Em entrevista à Agência Adjori de Jornalismo, o presidente da Fecomércio-SC falou sobre as dificuldades enfrentadas pelos empresários do setor do comércio em 2016 e sobre as projeções para o ano que vem. Confira:

Agência Adjori de Jornalismo - Considerando que 2015 foi um ano difícil e as previsões para este ano não eram animadoras, como o senhor avalia ano de 2016 para o comércio?
Bruno Breithaupt - Vivemos um período de muitas incertezas e indefinições políticas, o que prejudicou o andamento da agenda econômica no Congresso Nacional. As pautas importantes para a retomada do crescimento foram abafadas pela discussão política. Embora as expectativas do setor já estivessem ajustadas à recessão, os resultados de 2016 foram abaixo do esperado, principalmente na primeira metade do ano, quando o comércio catarinense chegou a registrar a queda histórica de 8,0% no volume de vendas no acumulado de 12 meses. Mesmo com desempenho ainda negativo, a maioria dos indicadores parou de piorar no segundo semestre, como o desemprego que caiu 0,3 pontos percentuais no terceiro trimestre de 2016 em Santa Catarina, ficando em 6,4%. A renda real do catarinense também subiu 4,2%.
Agência Adjori - A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), realizada pelo IBGE, de setembro, mostrou que Santa Catarina teve o menor recuo nas vendas dos últimos seis meses. A previsão é de que a situação melhore de agora em diante?
Breithaupt - A previsão é de que a situação melhore nos próximos meses. O desemprego em Santa Catarina no terceiro trimestre voltou a cair, apesar de ainda estar elevado; a renda real se estabilizou e já existe uma leve retomada do crédito. Esses três fatores determinantes do consumo, portanto, apontam um alívio, o que refletirá positivamente nas vendas do comércio nos próximos meses, mas ainda de maneira tímida e lenta. Uma recuperação mais robusta deve vir somente no segundo semestre de 2017, quando os consumidores estiverem menos endividados e a trajetória do déficit fiscal mais equilibrada.
Adjori - Quais foram os setores (entre os atendidos pela Fecomércio) que mais cresceram e os que mais tiveram prejuízos? É possível avaliar os motivos?
Breithaupt - O setor que menos reduziu as vendas e ainda encontra-se em estado de crescimento é o de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosmético, com alta de 2,6% em outubro no acumulado em 12 meses, segundo dados do IBGE. Já os segmentos que apresentam maiores quedas são aqueles que dependem mais do crédito, como o segmento de veículos e de autopeças (queda de 17,4% em outubro, na comparação de 12 meses); eletrodomésticos (-12,2%); equipamentos e material para escritório e informática (-22,3%).
Adjori - O que o setor pode esperar para o ano de 2017? Há previsão de melhoria?
Breithaupt - Os indicadores de consumo e de confiança apontam para um ano melhor em 2017. Depois do encolhimento da economia em 2016, a expectativa é de que o mercado mantenha a trajetória de recuperação lenta. Ainda precisamos estabilizar o desempenho do déficit público, equilibrando a política fiscal, acelerar o processo de reformas estruturantes e ajustar o orçamento familiar, com a queda no endividamento e inadimplência. A tendência é de queda nos juros, inflação dentro da meta e a volta gradual dos investimentos nas empresas, gerando renda e mais empregos.
Com informações de Agência Adjori / Rede Catarinense de Notícias. Texto revisado pela redação.






