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“Tem muito para ser feito”

Em entrevista à Agência Adjori de Jornalismo, o presidente da SCGÁS, Cosme Polêse, falou sobre os desafios de levar gás natural para todo o Estado, sobre as novas perspectivas para a energia de Santa Catarina e sobre o pedido de revisão do contrato de concessão do serviço.

“Tem muito para ser feito”
Arquivo Cabeço Negro

Agência Adjori de Jornalismo - A SCGÁS publicou recentemente um relatório de atividades que demonstrou expansão da rede pelo interior do Estado. Como vocês da SCGÁS avaliam esse resultado durante o ano de 2016?

Cosme Polêse - A gente cresceu significativamente considerando a situação econômica pela qual passa o país e o Estado. E eu diria assim: tem muito para ser feito. Fizemos bastante, mas ainda é pouco diante do volume, do espaço que nós temos para atender Santa Catarina. A SCGÁS é uma empresa de distribuição de gás natural. Esse gás vem da Bolívia e é fornecido pelo nosso contratante, que é a Petrobrás, e a gente consegue disponibilizar o gás onde a gente tem infraestrutura de gasoduto. Mas nós ainda estamos apenas na costa catarinense por causa do gasoduto Brasil-Bolívia que traz o gás que passa por Santa Catarina. Nós extraímos em nove pontos e fazemos a capilaridade da distribuição nas diversas indústrias, especialmente a elas porque geram emprego e renda.

Adjori - A Procuradoria Geral do Estado encaminhou recentemente um pedido de revisão do contrato da SCGÁS com o governo do Estado. Como a SCGÁS avalia isso?

Polêse - O Estado tem um contrato de concessão conosco. E a SCGÁS, durante esse tempo todo, não fez revisão desse contrato porque foi uma equação acordada entre os acionistas, a empresa e o governo. No entanto, a realidade econômica evoluiu, algumas divergências ocorreram e estão latentes. O Tribunal de Contas de Santa Catarina questiona o contrato e nós recorremos. Enquanto este recurso não for julgado em última instância, nós e o governo não somos obrigados a fazer a revisão do contrato de concessão. Já nos encaminharam, por meio da Casa Civil, uma proposta de revisão do contrato de concessão com modificação de algumas cláusulas. Elas terão que passar pelo entendimento dos demais acionistas da companhia.

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Adjori - Por falar em projetos da SCGÁS, há uns dois anos fala-se em um projeto de colocar o gás natural como combustível nos ônibus do transporte público. Por que isso é uma bandeira da companhia?

Polêse - O mundo inteiro já adota essa prática. O transporte coletivo deveria estar usando gás natural aqui no Brasil, por ser financeiramente, ambientalmente e tecnologicamente mais adequado do que outros energéticos. E não só no transporte coletivo. Por exemplo, hoje muitos municípios estão passando severas dificuldades financeiras e poderiam estar economizando com o gás natural nos veículos da frota municipal.

Adjori - Como estão os planos de expansão da rede de gás em Santa Catarina para 2017? Quais cidades devem ser contempladas?

Polêse - É preciso dizer o seguinte: a infraestrutura que traz o gás de fora para o Estado está aqui na costa catarinense. Isso limita um pouco levar o gás daqui para o Oeste Catarinense, mas não impede. Nós temos que fazer investimentos significativos, pesados, vultuosos, onerosos, e de longo percurso para acontecer isso. Estamos hoje com o gasoduto Serra Catarinense em Rio do Sul. Vencemos desafios enormes: cruzar por baixo do Rio Itajaí, do Rio Hercílio, contornar aquela topografia acidentada do Vale do Itajaí e fazer uma infraestrutura que dê segurança para quem for usuário do gás. Estamos com o processo pronto para fazer a licitação em Lages. Levaremos o gás de caminhão enquanto o gasoduto não chega.

Com informações de Agência Adjori / Rede Catarinense de Notícias. Texto revisado pela redação.

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