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“Se não mudar, não vamos mais receber o benefício”

Em entrevista à Rede Catarinense de Notícias, o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio-SC) fez um balanço do ano que passou e falou, entre outras coisas, de temas como a reforma da previdência

“Se não mudar, não vamos mais receber o benefício”
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Rede Catarinense de Notícias - A crise política afetou a economia no ano que passou. Quais são os principais reflexos para o comércio em Santa Catarina desta crise que afetou o país?

Bruno Breithaupt - A economia se descolou desta crise política. Evidentemente que, se não houvesse essa situação incômoda na vida política do país, a economia estaria respondendo com mais vigor. Mas, de todo modo, destes últimos 12 meses, a atividade do comércio de bens, serviços e turismo vem mostrando sinais de reaquecimento. Principalmente nos últimos três meses. E o que vem reforçar também este crescimento é a queda da inflação, a Selic também cedendo, e que pelo que tenho lido de economistas a Selic tem espaço para ceder mais ainda. Então tudo isso fez com que nossa economia começasse a responder positivamente nestes últimos 12 meses.

RCN - A crise impediu um crescimento maior, mas não a ponto de causar um decrescimento é isso?

Breithaupt - Sem dúvida. A crise política existe de longo tempo. Não vejo sinais de que a curto prazo haja uma mudança... quem sabe por ser um ano eleitoral nós possamos, com os novos congressistas, ter a possibilidade de avanço, de tentar termos uma vida política mais equilibrada, mais propícia, que analisem as reformas todas que nós precisamos.

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RCN - A Federação tem posições bem firmes e nem sempre populares, como nas reformas. Por que é importante a reforma previdenciária para o cidadão comum?

Breithaupt - A reforma trabalhista, no meu entendimento, se não foi melhor reforma, proporcionou avanços significativos tanto para o laboral quando o patronal. Ela trouxe única e exclusivamente uma flexibilização tanto para o laboral quanto para o patronal. Eu dispenso mais comentários porque a flexibilização diz tudo. Não houve perda financeira nem para o empregado, nem para o empregador. Sobre a reforma previdenciária, nossa expectativa de vida nos últimos anos mudou muito. Nós vivemos mais hoje, consequentemente, a nossa atividade produtiva também aumentou. Aumentaram os anos da nossa atividade produtiva. Evidente que há que se fazer um novo cálculo da Previdência para que se garanta para os próximos anos o pagamento da Previdência para os futuros aposentados. Essa conta não vai fechar. Não existe mais possibilidade de nos aposentarmos com 50, 52 anos. Se não houver uma mudança, uma grande discussão, talvez eu como beneficiário daqui a alguns anos não vamos mais receber o benefício. A maior preocupação é a garantia de que os beneficiários atuais e os futuros recebam o seu benefício. Essa é preocupação. Atualizando o tempo de serviço para que todos paguem para que todos recebam.

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RCN - Ainda neste contexto, sobre a contribuição sindical. O senhor destacaria a importância da contribuição sindical por quê?

Breithaupt - Eu sou favorável a esta mudança. Sem sindicatos, nós não temos uma Federação atuante e representativa. Cabe aos sindicatos e cabe à Federação, daqui para a frente, representar, de fato, os seus segmentos.

RCN - Falando de novo sobre economia... como você avaliaria o ano de 2017? Foi um ano bom?

Breithaupt - Eu acho que foi um ano positivo porque no ano de 2017 nós passamos a crescer gradativamente, sem percentuais negativos de crescimento. Para quem veio de um ano de 2015 e 2016 muito complicado, eu digo que foi positivo pelo simples fato de nós termos tido crescimento, embora percentualmente pequeno, mas deixamos de ter números negativos. Então, por isso só, nós entendemos que foi um ano positivo. Não foi o melhor ano, mas foi positivo.

RCN - E qual a expectativa para 2018?

Breithaupt - Os indicadores econômicos que nós temos indicam que ano de 2018 poderá ser melhor do que o ano de 2017, desde que alguns fatores internos ou externos não venham prejudicar a nossa atividade.

RCN - Qual o recado para os empresários dos setores de comércio e serviços?

Breithaupt - Eu digo o seguinte: o empresário catarinense tem diferenciais que em outros estados os empresários não têm. Espírito empreendedor, inovador. Então, o que eu queria enaltecer é o trabalho de todos os empresários com esta visão de gestão, buscando produtividade no seu negócio. Se não fosse essa visão, nós teríamos resultados píos. Todo empresário, a partir de agora, terá outras oportunidades de crescimento. Cabe a ele analisar bem o momento, da possibilidade dele voltar a crescer, com mais intensidade ou não, com alguns cuidados, para que ele consiga novamente alcançar números de oito, dez anos atrás.

Com informações de Rede Catarinense de Notícias. Texto revisado pela redação.

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