“Santa Catarina está se destacando como Estado inovador”
Presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Glauco José Côrte fala sobre investimentos, apoio do setor público e infraestrutura

Rede Catarinense de Notí cias - Mesmo com números po sitivos na economia brasileira, a taxa de investimento ainda é baixa. Como fazer para retomar o crescimento?
Côrte -Nessa questão da queda de investimentos, sobretudo nos últimos anos, tivemos uma participação da operação Lava- -Jato. As principais empreiteiras do Brasil estiveram envolvidas. Então houve uma retração. Muitas obras foram prejudicadas. Nós temos aqui na Fiesc um monitoramento das obras estaduais e federais e 60% das obras estão paradas ou com seu cronograma comprometido. Bom, mas há recurso no mercado internacional para investir no Brasil. O que nós precisamos são regras claras, taxas de retorno atraentes, que o governo anterior parou com as concessões porque as taxas de retorno não atraia investidores. O investidor quer uma taxa razoável para ter lucro e segurança jurídica. Nós alteramos muito as regras. Nós temos que rapidamente lançar os editais das grandes obras rodoviárias, de rodovias estaduais e de aeroportos... por que não aeropor tos regionais passarem por um processo de concessão? Quem ganhou a concessão aqui em Florianópolis prevê um investimento de R$ 500 milhões e isso muda a face do nosso aeroporto e dinamiza a nossa economia. Quantos milhares de empregos serão criados?
RCN - A Federação tem dis cutido bastante a questão da infraestrutura, principalmente em rodovias...
Côrte - Está provado de que nem o governo estadual nem o governo federal têm recursos su- ficientes para atender esta área. O governo estadual está fazendo investimentos, algo em torno de R$ 5 bi a R$ 10 bi. Mas isso é claramente insuficiente, isto é o que nós precisamos investir a cada ano só para manter as rodovias. A saída é concessão, privatização e parcerias público-privadas, e com cobrança de pedágios. RCN - A inflação caiu devi do à diminuição da renda das famílias?
Côrte - O fato é que a renda das famílias caiu por causa da inflação alta e dos juros elevados e mesmo depois que houve essa queda, a inflação não caiu. Ela começou a cair depois que o novo governo começou a im plantar medidas na área de ajus te fiscal. E, concomitante a isso, a renda elevou-se, mas não afetou a inflação justamente porque aí sim o governo conseguiu im plementar políticas. O Fundo de Garantia injetou R$ 70 bi e os alimentos não subiram. Isto é ajuste fiscal. Um dos grandes responsáveis pela alta da inflação são os gastos do governo. RCN - A queda nos juros tem proporcionado aumento do in vestimento?
Côrte - Durante muito tempo no país, o juro alto era fator de captação de recurso, mas hoje, em todo o mundo, os juros são muito baixos, em alguns casos até negativos. Então um juro real de 3% ou 4% é muito atraente para o investidor externo. O investidor sabe que não pode colo car todo o seu dinheiro na espe culação porque o risco é muito grande, todos os ovos na mesma cesta... então ele diversifica e nada melhor do que investimento, ainda mais em um país com a potencialidade que a gente tem. RCN - Como tem sido a relação entre o governo e a indús tria, em Santa Catarina?
Côrte - Nós sempre tivemos uma relação próxima com o governo e a partir do programa de desenvolvimento da indústria sentiu-se a necessidade de centralizarmos as informações para atração de investimentos. Nosso modelo é inédito, é o único que tem uma parceria público-privada porque, em outros estados, normalmente é estatal. Nós criamos então a Investe SC, agência de captação de investimentos. O Estado não precisou criar um emprego público e atende aqui na Fiesc para informações técnicas. Isso está funcionando.
RCN - O que faz o investidor escolher Santa Catarina?
Côrte - Nós mostramos as vantagens que nós podemos oferecer. Nós temos terras disponí veis. São Paulo hoje é difícil, Rio é difícil. Nós temos. Nós temos uma estrutura industrial forte e exportadora. Nós temos trabalhador qualificado, precisamos melhorar, mas em termos de Brasil nós estamos um pouco acima da média. E existe uma relação muito próxima com o setor público, que facilita.
Com informações de Rede Catarinense de Notícias. Texto revisado pela redação.







