O que está em jogo para o Brasil no acordo Mercosul–União Europeia, por Henry Uliano Quaresma
A assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, prevista para a próxima semana em Assunção, no Paraguai, encerra uma negociação que atravessou governos, crises globais e mudanças profundas na ordem econômica internacional. Mais do que um acordo comercial, trata-se de uma decisão estratégica sobre o lugar do Brasil no mundo em um momento de fragmentação geopolítica, disputas por mercados e reorganização das cadeias globais de valor.

A assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, prevista para a próxima semana em Assunção, no Paraguai, encerra uma negociação que atravessou governos, crises globais e mudanças profundas na ordem econômica internacional. Mais do que um acordo comercial, trata-se de uma decisão estratégica sobre o lugar do Brasil no mundo em um momento de fragmentação geopolítica, disputas por mercados e reorganização das cadeias globais de valor.
Uma ponte comercial gigante para o Brasil
Imagine conectar o agro brasileiro aos supermercados da Europa sem barreiras tarifárias pesadas. É isso que o acordo Mercosul-União Europeia promete, mesmo ainda pendente de ratificação pelos parlamentos. A assinatura recente carrega peso simbólico: sinaliza reaproximação entre blocos que somam 780 milhões de consumidores – 450 milhões só na UE. Para o Brasil, não é só volume de vendas, mas acesso a um mercado rico, estável e exigente. O que isso muda na prática para empresas e economia nacional?
Henry Uliano Quaresma, CEO da Brasil Business Partners e ex-diretor da FIESC, explica que poucos acordos globais oferecem essa escala de poder aquisitivo e previsibilidade. "Isso reduz riscos de depender de poucos mercados", destaca ele, que coordenou mais de 90 missões empresariais em 50 países.
Escala imensa: exportar mais e com valor agregado
O tamanho do bolo em jogo impressiona. Juntos, Mercosul e UE formam um bloco colossal, ideal para produtos brasileiros de alto valor. No agro, carnes, açúcar, etanol, sucos e café ganham cotas ampliadas e tarifas menores, trazendo segurança para investimentos de longo prazo.



