“Nossa situação é positiva, comparada aos outros estados”
Em entrevista à Agência Adjori de Jornalismo, o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio) de Santa Catarina e 2° diretor secretário da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Bruno Breithaupt, faz uma avaliação de 2015 e fala sobre perspectivas para 2016, para o setor. O catarinense explica que, mesmo com crescimento bem abaixo do esperado, o Estado tem mais condições de se recuperar do cenário de retração econômica do que os demais estados.

Agência Adjori de Jornalismo - O ano de 2015 foi difícil para diversos setores da economia. Como foi para os setores de comércio, bens, prestação de serviços e turismo?
Bruno Breithaupt - No aspecto econômico, o ano de 2015 foi de dificuldades. Vivemos uma desaceleração do consumo, que se expressa na queda das receitas e na retração das vendas no comércio. Atualmente, as vendas no Estado crescem a uma taxa mínima de 0,4% no acumulado de 12 meses. Esse resultado é muito pequeno comparado ao período de 2012 e 2013, quando as vendas cresciam a uma taxa de 9%, 10%. No entanto, nossa situação em Santa Catarina ainda é positiva, quando comparada com os demais estados, que já apresentam números muito negativos. O que explica esse resultado é que aqui os fatores que determinaram a queda no consumo, como a desaceleração da renda e aumento do desemprego, tiveram um impacto mais reduzido do que no resto do país. O desemprego, por exemplo, ainda continua sendo o mais baixo do Brasil. Isso é importante, pois dá condições para o Estado se recuperar deste cenário de retração econômica, antes que os demais estados.
Adjori - O anúncio de cortes no Sistema S ameaça a prestação de serviços por programas como o Sesc e o Senac em todo o país. Como estão as negociações com o governo federal?
Breithaupt - A Fecomércio/Sesc/Senac, bem como os sindicatos de nossa base, trabalharam exaustivamente no combate ao possível confisco dos 30% do Sistema S. Obtivemos uma grande vitória não só no Sistema S, mas para o país. Por meio desta proposta aventada pelo governo federal, abriu-se uma conjuntura em que pudemos reforçar à sociedade catarinense o belo trabalho que nossas estruturas executam em todas as regiões do Estado. A pressão social e a empresarial fizeram com que o governo desistisse do confisco naquele momento. Este recrudescimento do governo não foi enviado ao Congresso conforme prometido, e abriu-se uma negociação, que até o momento não avançou. No processo de diálogo, a última reforma ministerial também chegou ao Ministério da Casa Civil, alterando os atores que até aquele momento faziam este diálogo.
Adjori - Diante das dificuldades encontradas pelos comerciantes em 2015, que tipo de ações estão sendo propostas pela Fecomércio/SC?
Breithaupt - O Brasil só irá progredir se grandes reformas forem realizadas, entre elas uma reforma tributária, que reduza e simplifique os impostos pagos, e uma trabalhista, que equalize os ganhos salariais com os crescimentos da produtividade. É necessário aprofundar a desburocratização (reduzir tempo para abrir uma empresa) e realizar mais investimentos em inovação, infraestrutura e educação para aumentar a produtividade da economia brasileira e reduzir os juros no médio prazo, o maior gargalo da economia brasileira atualmente. Portanto, a solução passa invariavelmente por gerar maior incentivo aos investimentos privados, melhorar a infraestrutura dos transportes e das telecomunicações e incentivar uma maior concorrência dentro dos setores, para estimular investimentos em tecnologia e elevar a produtividade, que historicamente permanece estagnada, nos impedindo de atingir melhores níveis de desenvolvimento econômico e social.
Adjori - O que os comerciantes e prestadores de serviço podem esperar para o ano que vem? A expectativa é de crescimento ou mais dificuldades para o setor?
Breithaupt - O ano de 2016 será um ano com um resultado no PIB ainda negativo, mas que poderá nos apontar para períodos melhores, uma vez que os fundamentos da economia brasileira retornem aos trilhos. Tudo indica que no próximo ano a inflação perderá força, proporcionando a recuperação do poder de compra das famílias. Neste cenário, o comércio terá papel fundamental na recuperação do país, especialmente em nosso Estado, que já apresenta sinais de crescimento.
Adjori - Que mensagem o senhor gostaria de deixar para os comerciantes e prestadores de serviço catarinenses neste final de 2015?
Breithaupt - Apesar de preocupante, o ano de 2016 abre espaço para o avanço de muitas bandeiras históricas do setor produtivo, superando a agenda de ajustes recessivos para entrada em um círculo virtuoso na economia. O setor de comércio e serviços é capaz de superar os atuais desafios e liderar o nascimento de um novo Brasil. Os números provam e eu acredito no empresário catarinense, no seu DNA do empreendedorismo e da inovação. A despeito de todas as dificuldades que possamos encontrar em nosso dia a dia, nossas habilidades como comerciantes e prestadores de serviços fazem com que estejamos sempre aptos a pensar em uma saída criativa para qualquer adversidade. É desta forma que encerraremos este ano e inauguraremos o próximo, cumprindo e reforçando nossa função social como empresários, empregadores, geradores de renda e motores dessa economia.
Com informações da Agência Adjori de Jornalismo / Rede Catarinense de Notícias. Texto revisado pela redação.






