Menos milho na lavoura
Área plantada para produção do grão neste ano é a menor registrada nos últimos 20 anos. Em busca de rentabilidade, produtores catarinenses têm preferido plantar soja

Na próxima safra, Santa Ca tarina colherá a menor área de milho plantada dos últimos 20 anos. Pela projeção do setor, o Estado deve ter 318 mil hectares de produção do grão para o ano que vem - menos da metade do que teve em 1997: 766 mil hectares. A redução é histórica e tem se tornado um problema para a economia do Estado.
As razões da queda são explicadas, principalmente, pela baixa rentabilidade ao produtor. Mesmo com incentivo governamen tal, tem sido financeiramente vantajoso apostar na soja e é provável que esta diferença perma neça para os próximos anos. Sem garantia de preço, os agricultores estão deixando o milho de lado.
O reflexo é que, aos poucos, o Estado vai perdendo o protagonismo do agronegócio. O milho é insumo para ração animal e a queda encarece a produção de carnes. Santa Catarina já perdeu o posto de maior produtor de frango para o Paraná nos últimos anos e pode perder também o de maior criador de suínos.
O problema é de infraestrutura, diz o vice-presidente da Fiesc para o Agronegócio, Mario Lanznaster. Para ele, seria necessário que o governo federal investisse em armazenagem e logística. Hoje, parte do milho consumido no Estado vem do Centro-Oeste ou do Paraguai, com alto custo de transporte e sem condições adequadas de estocagem.
Para o presidente da Faesc, José Zeferino Pedrozo, as agroindústrias deveriam se unir para garantir um preço mínimo. O agricultor está frustrado porque sente no bolso, diz. Ele afirma que “sempre vamos sofrer” com esse problema se não houver garantia de rentabilidade.
Para piorar, a plantação este ano começou atrasada. Devido à estiagem de setembro, muitos produtores ainda nem semearam e outros terão que replantar o grão. Na última safra, mesmo com colheita de qualidade e quantidade acima da média, o agricultor não conseguiu ter ganhos satisfatórios devido ao au mento da oferta.
Por outro lado, há um cres cimento da produção de milho para silagem, destinado à produção leiteira. Segundo o Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa), da Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca, a área ocupada para o milho silagem será de 226 mil hectares, cerca de 70% da área em comparação com os 318 mil hectares reservados ao milho grão.
Para o secretário de Estado da Agricultura, Moacir Sopelsa, a saída é otimizar a vinda de milho grão de outros lugares. Segundo ele, esta é uma “dificuldade boa”, porque mostra a força da agroindústria de produção de carnes e leite ao consumir muito milho e ser referência do setor no mercado interno e externo.
Com informações de Agência Adjori / Rede Catarinense de Notícias. Texto revisado pela redação.






