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“Houve surpresa negativa com a recuperação econômica”

Presidente do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), Roque Pellizzaro Júnior, em entrevista à Rede Catarinense de Notícias (RCN), fala sobre os fatores econômicos que fizeram o ano de 2017 ficar abaixo da expectativa

“Houve surpresa negativa com a recuperação econômica”
Para Pellizzaro, consumidor estará mais confiante em 2018. DIVULGAÇÃO

Rede Catarinense de Notícias - Existia a expectativa de que 2017 fosse um ano de estabilidade econômica. Isso realmente aconteceu?

Roque Pellizzaro Júnior - Apesar de 2017 ter sido melhor do que 2016, houve alguma surpresa negativa com relação à recuperação econômica. No início do ano, a expectativa era de que a economia ganharia fôlego na passagem do primeiro para o segundo semestre, com a melhora das vendas no varejo e do mercado de trabalho. No entanto, após a intensificação dos escândalos de corrupção e o adiamento de reformas, como da Previdência e a Tributária, a economia mostrou-se mais fraca do que inicialmente previsto. Sendo assim, ainda que o ano tenha sido positivo, o crescimento foi tímido e menor do que o esperado.

RCN - A inadimplência preocupa? Como diminuir o número de devedores no país com uma taxa de desemprego alta?

Pellizzaro - Dada a recuperação tímida da economia ao longo de 2017, a geração de vagas continuou prejudicada e o desemprego iniciou 2018 no patamar de dois dígitos. Além disso, a renda daqueles que estão empregados continua em patamar menor do que no período pré-crise. Com o orçamento apertado, a inadimplência do consumidor segue elevada e ainda preocupa. Deve haver uma melhora no número de inadimplentes daqui pra frente, uma vez que o mercado de trabalho desenha uma recuperação mais sólida. No entanto, ela pode ser potencializada por iniciativas estruturais como o aumento da educação financeira e a ampliação do cadastro positivo.

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RCN - A queda na taxa básica de juros tende a facilitar o pagamento de dívidas? Qual expectativa em relação a isso?

Pellizzaro – Os consumidores inadimplentes ainda se deparam com taxas de juros elevadas, seja porque o índice que vigorava no momento do crédito era maior, ou porque, mesmo com o recuo da Selic, as taxas de juros nas modalidades mais populares, como cartão de crédito e cheque especial, continuam elevadas. Sendo assim, a queda na taxa básica de juros só ajuda o pagamento de dívidas no caso uma nova negociação, com valores de juros mais baixos, ou para novas contratações. A expectativa é de que a queda nas taxas de juros ao consumidor final caia de maneira mais contundente quando o mercado de trabalho melhorar e o risco de inadimplência diminuir significativamente.

RCN - Pesquisas apontam que 2018 deve ser melhor do que 2017. A que se deve essa expectativa?

Pellizzaro - A melhora de algumas variáveis-chave como a queda nos juros, o recuo da inflação e o início do crescimento do emprego devem manter o impulso ao longo deste ano. No entanto, alguns riscos negativos ainda pairam no ar e podem prejudicar o crescimento no ano que vem, com o adiamento de reformas importantes e a indefinição nas eleições majoritárias.

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RCN - Com a economia ainda em recuperação, existe otimismo para as vendas em 2018?

Pellizzaro - Sim. Devemos observar crescimento nas vendas no varejo em relação ao ano anterior, com especial atenção às datas comemorativas. A melhora na confiança do consumidor, aliada à queda na inflação e na taxa de juro, e o crescimento do emprego devem levar o consumidor de volta às compras, ainda que de forma moderada.

Com informações de Rede Catarinense de Notícias. Texto revisado pela redação.

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