“Foco na interiorização”
Em 20 anos de operação, a SCGÁS colocou Santa Catarina no terceiro lugar do ranking nacional de distribuição de gás natural. Em entrevista à Agência Adjori de Jornalismo, o diretor presidente da empresa, Cosme Polêse, falou sobre planos de expandir o serviço e sobre os principais empecilhos para que eles se concretizem. Ele defende que o gás natural é uma energia limpa, barata e explica por que este crescimento é importante para o Estado.

Agência Adjori de Jornalismo - Que municípios utilizam o gás natural hoje em SC?
Cosme Polêse – A companhia está fazendo quase 20 anos e nosso dever é levar o gás para todos os municípios. Nós esperamos atender à maioria até 2044, que é até quando vai a nossa concessão. Hoje, nós já estamos atendendo a 62. Temos muito a fazer ainda, mas um grande passo já foi dado ao longo deste ano. Adjori - Então haverá expansão do serviço?
Polêse – A companhia está progressivamente expandindo o seu atendimento nestas regiões, onde já se faz presente, e ampliando a área de abrangência de sua rede. Esse atendimento é feito à medida que os clientes necessitam e que a infraestrutura daquele município atenda.
Adjori – O senhor poderia citar uma região onde esta expansão se destaca?
Polêse – Em expansão de rede podemos destacar o Projeto Serra Catarinense, a maior obra atualmente em condução pela SCGÁS e maior do Brasil em expansão de rede de distribuição de gás natural. Este novo ramal ligará Indaial a Lages, passando por 16 municípios da região do Planalto Serrano. Em 2013, foram gaseificados novos clientes no ramal recém-construído em Apiúna. Atualmente, a obra está em sua terceira fase no município de Rio do Sul.
Adjori - Como funcionará o Projeto Serra Catarinense? Polêse – O gás chega a Santa Catarina pelo Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), que é uma estrutura que vem da Bolívia trazendo gás para o Brasil, e chega a SC, vindo de Araucária, passando pelo Litoral Catarinense. A partir desse gasoduto e transporte, nós retiramos o gás em nove pontos e fazemos a distribuição no Estado. Essa distribuição em 62 municípios tem ampliações permanentes.
Adjori - Existe algum município onde o gás natural seja mais necessário ou mais utilizado?
Polêse – Ainda em 2013, o município que mais apresentou ampliação no número de clientes atendidos foi Criciúma, alavancado pela ampliação do segmento residencial. Adjori – Quais seriam os projetos em relação à ampliação da utilização do GNV nas cidades catarinenses?
Polêse – Elaboramos um projeto para ampliar a competitividade do GNV frente aos demais combustíveis e estamos trabalhando o tema junto à Secretaria Estadual da Fazenda. Temos um foco de interiorização do gás natural veicular (GNV) em locais distantes da Rede de Distribuição de Gás Natural (RDGN). Atualmente, o GNV está presente em 49 municípios e tem a oferta através de 135 postos estrategicamente posicionados, sendo 15 municípios distantes da RDGN.
Adjori – Atualmente, como acontece esta distribuição? Polêse – O transporte é por meio de carretas, que chegam a transportar 5 mil metros cúbicos por viagem. Sob o ponto de vista geográfico, podemos destacar os principais municípios onde há oferta do GNV através desse modal: no sul catarinense: São João do Sul; na Serra: Lages; no Oeste: Chapecó e Concórdia; no Norte: Porto União e São Francisco do Sul. Desta forma, SC, após 13 anos de operação do GNV, se consolida como o terceiro maior e mais forte mercado do Brasil.
Adjori - Há algum empecilho à expansão?
Polêse – Um dos grandes desafios enfrentados no Estado é a dificuldade de fonte de suprimento de gás natural. A SCGÁS trabalha, desde o início de suas operações, com o mesmo contrato de suprimento, firmado com a Petrobras, que fornece 2 milhões de metros cúbicos diários para distribuição, oriundos do Gasbol. Este montante já se encontra muito próximo do esgotamento. Em 2013, a média diária de distribuição de janeiro a dezembro foi de 1,848 milhão de metros cúbicos/dia, equivalente a 92,4% do volume contratado.
Adjori – E como, então, ampliar o atendimento? Polêse – Precisamos ampliar o volume de gás que chega. Para isso, precisamos de um terminal de GNL, para trazer o gás liquefeito de navio, que vem na temperatura de menos 162°C. A partir daí, temos de gaseificar e introduzir na rede. Esse gás pode vir de qualquer uma das regiões do planeta onde é produzido gás líquido, gaseificado e colocado na rede. Esse é um projeto que está sendo estudado. Outra alternativa é ampliar a rede do Gasbol. Também existe um projeto de ligar Araucária a Mafra. Com esse gasoduto poderíamos atender à região do Planalto Norte e Meio Oeste. O aproveitamento do gás da costa catarinense, que é retirada dos campos de petróleo, poderia ser uma alternativa. Também tem o gasoduto paralelo ao gasoduto Brasil-Bolívia, que é projetado, mas só para o ano de 2020, 2030, é que vai passar no Oeste Catarinense. Por outro lado, nós temos também em SC a possibilidade de produzir o gás através do biogás com dejetos de suínos, aves, resíduos urbanos das cidades, bem como outras fontes substratos orgânicos - que podem também alavancar e atender a demanda em determinados locais. Estamos trabalhando com todas essas alternativas, e aquelas que se apresentarem melhor técnica e economicamente iremos implantar.
Adjori - Quais são as vantagens do gás natural, se comparado a outros combustíveis?
Polêse – O gás natural veicular (GNV) não compromete o meio ambiente tanto quanto outros energéticos, como o óleo diesel ou até mesmo como a própria gasolina, e ainda representa uma economia para os usuários.
Com informações da Agência Adjori de Jornalismo. Texto revisado pela redação.






