Empresas do Sul ainda mostram reflexo da crise
O resultado é positivo em comparação com o restante do Brasil, porém, o aumento das dívidas das empresas da região é considerado preocupante

A região Sul do Brasil teve o menor crescimento de empresas inadimplentes do país (3,17%) na comparação de janeiro de 2017 com o mesmo período do ano anterior, bem abaixo da média nacional (5,28%). Os dados são do indicador divulgado na semana passada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).
O valor menor em relação a outras regiões se deve principalmente à agricultura, que teve bom desempenho e redução no número de pessoas jurídicas devedoras (-4,79%). Apesar da alta nacional, o crescimento do número de negativados perdeu força durante 2016 - em janeiro do ano passado a média foi de 13,52%, por exemplo.
Segundo os dados do SPC Brasil e CNDL, os mais atingidos pela inadimplência na região Sul foram o comércio e a indústria. Pela variação, o setor industrial lidera o crescimento de devedores com 11,96%. Em seguida está o comércio, com 10,83%. O setor de serviços teve diminuição no número de empresas com dívida (-0,6%), mas ainda é o principal na participação nas dívidas (70,19%).
"Há dois movimentos acontecendo hoje no país. O primeiro é a redução da capacidade de pagamento das empresas, que tem a tendência de elevar o número de contas pendentes. O segundo é a restrição ao crédito, que reduz o estoque de dívidas limitando o crescimento da inadimplência. Este segundo tem prevalecido", afirma o presidente da CNDL, Honório Pinheiro.
Apesar de apresentar números melhores em relação ao restante do país, o Sul sofreu bastante com a queda de consumo. E isso se refletiu, também, no (mau) desempenho e até no fechamento de estabelecimentos por aqui.
Só em Santa Catarina, mais de 11 mil lojas fecharam as portas nos últimos dois anos, segundo dados da Fecomércio-SC. Atingidos pela inflação dos alimentos, os supermercados tiveram um dos piores desempenhos, e ajudaram a elevar o número de desempregados no setor.
A boa notícia é que a desaceleração da inflação desde o mês de agosto, somada à queda dos juros e a retomada da confiança tendem a incentivar o consumo. Para o economista da Fecomércio-SC, Luciano Córdova, isso pode ser um alento para os empresários nos próximos meses.
Com informações de Rede Catarinense de Notícias (Adjori SC). Texto revisado pela redação.






