Empresariado catarinense não aprova o pacote orçamentário
Cortes de R$ 5,8 bilhões no Sistema S e volta da CPMF estão entre os itens mais criticados

O anúncio de que o Orçamento de 2016 terá um corte de R$ 26 bilhões - e as medidas que devem ser adotadas para que isso ocorra - desagradou o empresariado e associações de classe catarinenses. Os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, defendem que o objetivo do pacote orçamentário é viabilizar superávit primário (economia para pagar os juros da dívida) de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), soma dos bens e riquezas produzidos em um país) no ano que vem.
O objetivo é atingir R$ 64,9 bilhões de superávit primário, seja em redução de despesas, seja no aumento de receitas. Entre as medidas mais polêmicas estão previstas suspensão de concursos, cortes de repasse ao sistema S e a volta da CPMF (veja a lista das principais ações no quadro ao lado). Para o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Glauco José Côrte, as medidas agravam o cenário econômico. "O pacote aumenta a já elevada carga tributária. A CPMF já foi rejeitada pela sociedade", afirmou. Côrte também reagiu à pretensão de reduzir em 30% a contribuição ao Sistema S, que é administrado pela iniciativa privada de setores como indústria, comércio, agropecuária e transporte, mantendo serviços de formação profissional e de atendimento ao trabalhador por meio de entidades como Senai, Sesi, Senac, Sesc, Senar e Senat. "Consideramos uma ousadia do governo, que tem como mote 'Pátria educadora', tomar uma medida que afeta um sistema que funciona bem e aplica com qualidade os recursos no atendimento social e formação do trabalhador", afirma Côrte.
O pacote também foi recebido com perplexidade pelo presidente da Fecomércio/SC, Bruno Breithaupt. Ele avalia que a saída para a crise econômica passa pela redução e simplificação dos tributos, bandeira que continuará sendo defendida pela Fecomércio/SC na Câmara e no Senado. "O fundamental é criar estímulos para a iniciativa privada e não ir à contramão."
Com informações da Agência Adjori / Rede Catarinense de Notícias. Texto revisado pela redação.





