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Entrevista

“Dois mil e quinze será, mais uma vez, um ano-teste para todos nós”

O ano será de ajustes, cortes, queda de consumo e perda de dinamismo econômico. Mesmo assim, as cooperativas catarinenses crescerão entre 10% e 12% em 2015, de acordo com a previsão do presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC), Marcos Antônio Zordan, em entrevista à Agência Adjori de Jornalismo.

“Dois mil e quinze será, mais uma vez, um ano-teste para todos nós”
Entrevista: Marcos Antônio Zordan, presidente da OCESC Ocesc/Divulgação

Diretor de agropecuária da Coopercentral Aurora (Chapecó), Zordan tem 32 anos de vivência no cooperativismo. Aos 60 anos, é casado com Dalva Maria Zordan, com quem tem três filhos (Marcos Júnior, Matheus e Thaís). Gaúcho de Lagoa Vermelha, vive em Santa Catarina há 35 anos. Presidiu a Federação das Cooperativas Agropecuárias de SC (Fecoagro) e participou da administração da Cooperleite, da Creditaipu, da Agromilk, da Ocesc e comandou por duas gestões a Creditaipu, entre outras entidades cooperativistas.

Agência Adjori de Jornalismo – Como foi o ano de 2014 para o cooperativismo catarinense, na sua avaliação? Marcos Antônio Zordan – Basicamente foi um ano normal. O crescimento deverá ficar entre 12 e 15%, um pouco menor do que o ano passado, principalmente, pela queda dos preços dos produtos nas cooperativas agropecuárias, que representam em torno de 65% das receitas totais do cooperativismo barriga-verde.

Adjori – Quais foram as principais conquistas? Zordan – O cooperativismo catarinense vem numa crescente, tanto nos resultados econômicos quanto nos resultados sociais. Acreditamos que a conquista maior foi a aplicação prática dos princípios cooperativos, em especial o quinto, que trata da educação, formação e informação; e o sétimo, que é o interesse pela comunidade. Não menos importante foi o número de associados, dirigentes e colaboradores que se propuseram a se preparar por meio de treinamentos patrocinados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (SESCOOP). Ainda, a busca de sobras (lucros) com bons índices de aproveitamento para cumprir rigorosamente com a parte social. Por isso que acreditamos no cooperativismo catarinense, porque a busca do melhor é constante, dando exemplo de persistência, seriedade e resultado. Essas são as maiores conquistas, acreditamos nós. Outra conquista que não podemos deixar passar em branco foi de que a primeira empresa a exportar carne suína para os Estados Unidos é uma cooperativa, a Coopercentral Aurora Alimentos, de Chapecó.

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Adjori – Quais foram as principais derrotas, na avaliação do senhor? Zordan – Acreditamos que a maior derrota do setor em 2014 foi não conseguirmos, mais uma vez, sucesso na aprovação da nossa lei estadual do cooperativismo. Mas, graças a Deus e aos cooperativistas catarinenses, temos mais vitórias do que derrotas para serem contabilizadas.

Adjori – O senhor está otimista ou pessimista com 2015? Por quê? Zordan – O ano de 2015 será, mais uma vez, um ano-teste para todos nós, brasileiros, independentemente de ser cooperativa ou não. Precisamos estar preparados para o pior. Quanto a ser pessimista ou otimista, depende do ramo em que atuamos. Para alguns ramos, como das carnes, não deverá ser tão ruim. Mas, certamente, o cooperativismo cresce na dificuldade e, se o espírito da cooperação estiver presente, as dificuldades serão amenizadas. As cooperativas em geral estão preparadas e seus dirigentes também, sempre reservando a condição de que a autogestão, a participação efetiva do sócio e uma boa governança são prerrogativas básicas para que isso aconteça.

Adjori – Quais os desafios que o cooperativismo enfrentará em 2015? Zordan – Acreditamos que 2015 será desafiador, não só para o cooperativismo, mas para nós, brasileiros, que trabalhamos honestamente. Teremos mais dificuldades no crédito, concorrência mais acirrada pela provável sobra de produção causada pelo baixo consumo. Teremos que ser mais ágeis, avaliarmos cada passo a ser dado. Isso tudo porque o governo deverá ajustar suas contas apertando todos nós para pagar esse déficit.

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Adjori – O senhor acredita que será possível continuar crescendo entre 15% e 20% ao ano? Por quê? Zordan – Claro que o crescimento depende da conjuntura econômica do país. O cooperativismo sempre tem crescido acima de todos os índices oficiais. Portanto, acreditamos em um crescimento sim, que deverá ficar entre 10 e 12% ao ano na área do cooperativismo. A pressão nos preços deverá ser forte e os custos deverão subir acima do normal.

Com informações da Agência Adjori / Rede Catarinense de Notícias. Texto revisado pela redação.

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