“A palavra a se dizer é união”
Presidente do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc), Luiz Vicente Suzin, defende o modelo associativista, a capacitação de profissionais e a presença de mais mulheres nas cooperativas

Rede Catarinense de Notícias - Foi aprovado projeto de lei que permite que cooperativas de crédito operem recursos dos municípios. Como isso vai beneficiar o cidadão?
Luiz Vicente Suzin - Esse é um trabalho muito importante da Ocesc, juntamente com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), junto ao Banco Central. Desde 2011 que se está pleiteando esse projeto. Passou pelo Congresso com 353 votos favoráveis. É importante para as cooperativas de crédito porque todos nós que tínhamos contatos com os prefeitos sabíamos dos benefícios: algumas movimentações de dinheiro público municipal, até então, só podiam ser feitas por meio de bancos oficiais. Eu vejo que isto é uma grande oportunidade também para o município porque este dinheiro vai circular dentro da cidade, onde estão os pontos de atendimento das cooperativas de crédito. Agora, esse dinheiro vai circular na própria região. Até então, com os bancos oficiais, esse dinheiro não circulava aqui na região.
RCN - Existe uma projeção de que mais da metade dos catarinenses sejam integrantes do cooperativismo. Esta é uma característica que contribuiu para o enfrentamento da crise?
Suzin - Dá para dizer que o cooperativismo em Santa Catarina é um exemplo para o país. Mais da metade da população é ligada a uma ou outra cooperativa. E esse crescimento se dá através desta união. Nós tivemos um ano muito difícil, mas tivemos um crescimento no número de empregos nas cooperativas e isso é importante. Mostra que as cooperativas estão se organizando e ajudando no crescimento do país. Santa Catarina está sendo destaque. Não tivemos o ano fechado ainda, mas no balanço geral dá para se dizer que tivemos um crescimento em relação ao ano passado e isso é importante no momento que a gente passa no país. A gente sabe como é difícil fazer cooperativismo, mas com as conquistas, com as reduções de custos, as cooperativas conseguem crescer, mesmo numa época tão difícil como esta.
RCN - E qual é o segredo?
Suzin - As cooperativas têm um custo reduzido, elas trabalham bastante na redução de custos e não têm uma estrutura que é tão pesada. Por isso as cooperativas crescem. E nós, a partir da Ocesc, temos um trabalho de preparo dos dirigentes e colaboradores e dos próprios associados das cooperativas. Então este conjunto de fatores realmente vem ao encontro deste crescimento. Quanto mais associados você tem na cooperativa, mais a cooperativa tem tendência de crescer. Então tem este trabalho que a gente tem feito bem aprofundado em Santa Catarina e que vem dando certo. Tem o trabalho com os jovens, o Cooperjovem, JovemCoop, Mulher Cooperativista… Tudo vem somar para o crescimento das cooperativas e para que elas cheguem mais perto do seu associado.
RCN - Este trabalho de inclusão das mulheres tem sido destaque, não?
Suzin - Este trabalho é fundamental. Nós completamos 15 anos do Encontro Estadual de Mulheres e, neste ano, reunimos quase mil mulheres em Florianópolis. E essas mulheres vêm de todo o Estado, em cooperativas que têm o trabalho focado na mulher cooperativista. Sempre se viu, depois que a gente iniciou este trabalho com as mulheres, a evolução que nós tivemos e o crescimento das cooperativas com a participação delas. E há muitos anos a gente percebe o crescimento de jovens dentro da cooperativa. Nosso ideal dentro da Ocesc e do Sescoop é fazer este trabalho de fixar o jovem no campo e o JovemCoop vem ao encontro disso. Justamente para que estes jovens sejam os futuros administradores de suas propriedades. Este é um investimento.
RCN - Quais foram os melhores momentos de 2017 para as cooperativas e para a Ocesc? Foi um ano bom?
Suzin - A gente iniciou um ano bastante turbulento, bastante complicado, e depois de março em diante eu acho que o nosso governo, apesar de tudo, separou a política da economia e, com isso, todo mundo começou a crescer um pouquinho e o país começou a andar. E as cooperativas cresceram também. A gente espera que os próximos comandantes do nosso país que, se não fizerem muito, pelo menos não atrapalhem o desenvolvimento e o crescimento do agronegócio. E não é diferente em Santa Catarina. O agronegócio ainda segura o crescimento do Estado. A gente vê uma luz no fim do túnel e espera que isso tenha continuidade. As cooperativas também aproveitaram para se aproximar dos seus associados.
RCN - Uma mensagem aos cooperativistas?
Suzin - A palavra a se dizer é união. Cooperativa é uma família. Então se a gente permanecer unido, seja qual o ramo das cooperativas, temos doze aqui em Santa Catarina, seja uma intercooperação entre elas… é isso que vai ajudar ainda mais no crescimento. É isto que nós esperamos como dirigentes de cooperativas.
Com informações de Rede Catarinense de Notícias / Agência Adjori. Texto revisado pela redação.







