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Amor e Arte

Amor e Arte
Arquivo Cabeço Negro

Acredito que todos vocês jádevemtervistopelasruasda cidade de Apiúna, aquela senhorinha sorridente empurrando seu lho em uma cadeira de rodas!

Cansei de passar por ela e em todas as vezes que a cumprimentei, sempre esboçou um sorriso. Decidi escrever sobre ela, mas não porque passeia com seu lho Leonardo pelas ruas, mas porque encontrei uma artista em nossa cidade.

Aquela mulher sorridente chama-se Maria Eliane Capistrano e ela não anda pelas ruas empurrando uma cadeira para que sintam pena dela, mas porque diz que muitas vezes Leonardo ca triste e adora que a Mãe o leve pelas ruas, já que este é o único momento delazerqueacriançatem.

Acredito que seja um direito da mãe passear com seu lho no momento em que quiser, sem ser rejeitada nas ruas ou receber comentários desnecessários. Estou usando este espaço importante do Jornal

Cabeço Negro para que antes de fazerem julgamentos errados, procurem conhecer melhor a realidade das pessoas. Posso não ser o melhor exemplo a ser seguido, mas neste momento, com certeza sou o mais cauteloso.

Analisei Eliane um dia desses, quando veio trazer o lho na APAE, que cuida de Leonardo em um período e presta total assistência a ele. Então resolvi escrever sobre a mãe dedicada, zelosa e principalmente artista. Conversei rapidamente com ela e depois de mais um convite para conhecer seu trabalho, aceitei imediatamente.

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Eliane me viu crescer, embora seja natural do Rio Grande do Sul, reside em Apiúna há mais de 40 anos. Morava no bairrodeSantaRosaeporanos se estabeleceu lá. Uma vila afastada. De família simples não teve como prosseguir com os estudos. Mãe de 4 lhos, sendo um deles o Pequeno Leonardo, que exige atenção 24 horas no dia depois que sofreu o acidente e perdeu os movimentoseacapacidadede fala. É muito difícil falar de Elianesemassociá-laaoLeonardo.

A artista Eliane buscou na pintura uma forma de não desenvolver a depressão. Quando ouvi falar que Eliane pintava, jamais imaginaria que era mesmo aquela senhora sorridente que empurra Leonardo na cadeira de rodas. Como sempre utilizamos um pré conceito errôneo e não damos chance para que nossa emoção aore antes da razão. Suas obras chamaram minha atenção, deixando-me impressionado.

Realmente Eliane é impressionista e adora paisagens e natureza morta. Na casa que vive de aluguel aqui no centro da cidade, já que houve a necessidade de cuidar do lho commaisatenção,percebique as paredes são adornadas por arte. Suas artes. Quadros em diferentes formatos. Quadrados, redondos, retangulares. Gigantescas obras. O material, tinta a base de agua pvc e tinta guache; acreditem se quiserem. Muito do material foi doação de amigos, familiares e pessoas que gostam do que ela faz. Além de muitos materiais como armários velhos e pedaços de Eucatex que recolhe pela cidade.

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Quero que a cidade e a região conheça o trabalho de Eliane e o Valorize. Quando lhe perguntei o porquê pintava; respondeu-me que pintava por amor e porque além de uma distração, notou que Leonardo gostava das pinturas; dascoresedasconversasquea mãe faz com ele enquanto executa as obras; assim encontrou uma forma de não entrar em depressão por conta da vida difícil que leva.

Durante nossa conversa agradeceu os amigos e pessoas que lhe ajudam, bem como também a Prefeitura Municipal que através da Assistência Social também lhe ajuda. Falou que o presidente do CMDCA senhor Lucas Xavier e sua esposa Juliana estão organizando uma exposição de seus quadros na 20a Tangefest. Um gesto muito bonito e principalmente solidário do Casal.

Gostaria que as pessoas também visitassem a casa de Eliane e apreciassem as maravilhas que ela faz. Compreendessem sua necessidade e de alguma forma evidenciasse a sua arte. Eliane é uma artista nata, e não está escrito em sua face, a tão genial artista que é. Ela não pede ajuda as pessoas, mas seria de grande valor humano se as mesmas valorizassem esse trabalho, pois através dele, conseguiria suprir sua renda familiar que atualmente édeumsaláriomínimo.

As pessoas não caminham sozinhas, elas crescem quando há outras pessoas que acreditam em seu potencial. Quando há expectativa de credo. Quando há possibilidades que permitam que elas sonhem e alcancem o mínimo de realização.

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