Os pedidos mais inusitados
Papai Noel, São Nicolau e o Menino Jesus dividem a tarefa pelo mundo

Ele é a figura mais aguardada no Natal, sobretudo pelas crianças. Nos dias que antecedem a noite de ver se ele deixou os presentes no pinheirinho decorado, os Papais Noéis são encontrados por todos os lados nas ruas, lojas e shoppings, proporcionando momentos mágicos para a garotada. Os encontros servem para fazer uma foto e, obviamente, fazer pedidos.
E na lista que cada Bom Velhinho vai preenchendo nem tudo é algo possível de ser realizado. Eles são surpreendidos por muitos desejos inusitados. O aposentado Antonio Estanislau Berwig, 68 anos, que começou sua carreira como Papai Noel quando tinha apenas 16 anos para atender uma necessidade da irmã em uma loja em Gravataí, no Rio Grande do Sul, coleciona algumas histórias. A que mais surpreendeu o Bom Velhinho aconteceu em um condomínio de classe média alta na Região Metropolitana de Porto Alegre. “A maioria pede brinquedos, há quem peça saúde, mas nesse caso uma menina queria que os pais parasse mde brigar eque passassem o Natal juntos. Outra vez, estava em uma piscina e todas as crianças estavam molhadas. Uma foi passada por cima das outras e peguei no colo. Quando perguntei oque gostar iade ganhar, ela disse que queria caminhar. Foi aí que notei que ela não podia. É uma situação complicada. Eu a abracei forte e disse que Deus iria ajudar. Um outro caso foi de uma menina de 14 anos, de muletas, que chorava. Coloquei ela na poltrona e conversei com calma, explicando que o problema era passageiro. Logodepois,avisorrindo”,conta.
Questões familiares também já surpreenderam o Papai Noel oficial da rede de lojas Magazine Luiza, Gesvaldo D`Avola Filho, 58 anos, que além de comerciais e programas da TV interna da empresa, também trabalha na loja da matriz, localizada em São Paulo. “O que mais me tocou até hoje foi um menino de 8 anos que pediu para eu trazer o seu pai de volta. Perguntei o que tinha acontecido e ele disse que o pai havia morrido. Expliquei que o Papai Noel não tem esse poder e contei como poderia ajudar. Disse que ia com frequência ao Polo Norte e via uma estrela muito brilhante no céu. Ele está lá o tempo inteiro, cuidando de você. Quando sentir saudade, olha para ela e tenha a certeza de que seu pai sempre estará ao seu lado”, recorda.
Gesvaldo argumenta que o verdadeiro papel do Papai Noel é conversar com as crianças e critica o modelo atual adotado em muitos shoppings. “É muito triste o que os shoppings estão fazendo. É tudo muito rápido e ainda cobram por fotos. O Papai Noel tem que ouvir as crianças, conversar com elas. Eu não quero saber se tem fila. Vou atender todo mundo e conversar”,frisa.
E nestas conversas ele aproveita para mostrar que muitos desejos podem ser substituídos por outros. “As vezes a gente vê, por exemplo, um menino querendo um carrinho com controle remoto e percebe que os pais não têm condições de comprar. Aí, eu conto que no meu tempo era mais divertido e que um carrinho com controle não tem muita graça. O melhor é pegar um carrinho mais simples, amarrar um fio, e desenhar uma pista no chão, convidando os amigos para uma corrida. Esse é o nosso papel, conversar e mostrar que existem outras alternativas e até muito mais divertidas”, destaca.
Outro Papai Noel, o aposentado Abílio Machado, 52 anos, de Campo Largo, no Paraná, conta que ficou comovido com o pedido de uma menina. “Eu estava em um shopping em Curitiba e uma menina de seis anos queria só um presente de Natal: que os pais não se separassem. São coisas que pegam a gente de surpresa. Expliquei a ela como funciona uma relação. O pai dela ficou chocado com o pedido. Este pedido me marcou tanto que eu uso a foto que tiramos como fundo no meu celular.”
CHUPETAS
Muitos pais aproveitam o Papai Noel para fazer com que seus filhos parem de usar chupetas. E não é raro algum pai retornar depois ao local para tentar revê-la.“Eu não fico com nenhuma”.
Adoto outra estratégia. Digo para que ela coloque em uma caixinha e que deixe, com um bilhete, no pinheiro. Na noite de Natal eu passo, deixo o presente e levo a caixinha com a chupeta e tudo que ela não quer mais”.
“Eu acho uma malvadeza fazer a criança entregar a chupeta para receber um presente. Os pais querem passar a responsabilidade para o coitado do velhinho”, critica Abílio.
O maior problema é que muitas crianças se acostumam com uma determinada chupeta e depois que o Papai Noel fica com ela começa a choradeira.






