Maioria dos brasileiros usará inteligência artificial nas eleições de 2026 para pesquisar candidatos
Pesquisa inédita do Projeto Brief revela que 62,9% dos eleitores pretendem recorrer a robôs, mas estudo alerta para crise de autenticidade e manipulação.

Pesquisa inédita do Projeto Brief revela que 62,9% dos eleitores pretendem recorrer a robôs, mas estudo alerta para crise de autenticidade e manipulação.
O uso de algoritmos em 2026 redefine a busca por candidatos, mas expõe 33% dos eleitores ao risco de acreditar em vídeos falsos. A vulnerabilidade é maior entre idosos, enquanto o TSE é visto por 51,6% como o principal órgão para regular a tecnologia.
Confiança e checagem de dados
A inteligência artificial será ferramenta central na decisão do voto nas Eleições 2026. Pesquisa do Projeto Brief revela que 62,9% dos eleitores pretendem utilizar IA para buscar informações sobre candidatos, acendendo um sinal de alerta entre especialistas em comunicação política.
Conforme o levantamento, a confiança cega é minoria. Cerca de 40,5% dos entrevistados pretendem consultar os robôs, mas farão a dupla checagem em outros canais. Já 22,4% dos participantes devem tratar a IA como uma fonte útil comum, equiparada a qualquer outra.
A resistência ainda persiste no cenário nacional: 23,2% dos brasileiros declararam preferir fontes tradicionais, como o jornalismo e debates políticos, enquanto 13,9% afirmaram não confiar de forma alguma na tecnologia para fins eleitorais.
A crise de autenticidade e o risco das mídias sintéticas
O hábito de usar a tecnologia como farol informativo já é realidade para 44,3% dos brasileiros, que recorrem à IA para buscar notícias. Segundo o estudo publicado pelo NSC Total e Correio Braziliense, 38,3% utilizam as ferramentas para checar se uma informação é verídica.
Para Carol Luck, coordenadora do Projeto Brief, a dependência dessas ferramentas em um ano eleitoral é preocupante. "As respostas geradas por IA não são 100% confiáveis, e isso é algo que as próprias plataformas sinalizam. Nem sempre fica claro de onde veio a informação", alerta Luck.
O estudo expôs uma "crise de autenticidade": diante de um vídeo falso criado por IA, apenas 45,3% dos participantes identificaram a manipulação. Outros 33% acreditaram que o material era original e o restante não soube opinar sobre a veracidade do conteúdo.
Vulnerabilidade por faixa etária
A percepção da realidade varia drasticamente conforme a idade. Entre jovens de 18 a 29 anos, a taxa de acerto na identificação de vídeos falsos foi de 58,2%. Na população com 61 anos ou mais, o cenário se inverte: apenas 20,9% detectaram a IA e 47% afirmaram que o conteúdo falso era verdadeiro.
"O recorte por idade mostra uma vulnerabilidade importante para públicos mais velhos, especialmente diante de conteúdos plausíveis, com personagens reconhecíveis e circulação em ambientes de confiança pessoal, como grupos de WhatsApp", pontua Carol Luck.
Por outro lado, a coordenadora destaca que os mais jovens apresentam um excesso de desconfiança, errando ao classificar 39% de um vídeo original como sendo fruto de inteligência artificial.
Fiscalização e metodologia do estudo
Sobre a responsabilidade de fiscalizar o uso da tecnologia na política, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi citado por 51,6% dos participantes. O governo federal aparece com 42,1%, seguido pelas plataformas digitais (38%) e pelos próprios cidadãos (24,2%).



